DOAÇOES

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terça-feira, 19 de abril de 2016

História do uso do cordão na cintura.


História do uso do cordão na cintura.

Olá galera olha só uma curiosidade da capoeira, a origem da corda na cintura ela tem muitas hipóteses na época dos hebreus eram usadas para segurar sua batas na cintura e os pastores usavam uma especial com um couro no meio e era usada como arma de mão  para atirar pedras chamado de "Funda" o fato mais lembrado disso e a passagem de Davi e Golias. E ela foi usada mais ou menos por volta de 1200 pela Ordem dos Franciscanos e abades como um símbolo de pobreza e simplicidade. Já a partir  da escravidão os negro a usavam como corda de segurar as calças, mas foi usado uma forma um sistema para identificar e nomear o negro veja.

LADO ESQUERDO

Identificava os negros que chegavam e ainda não tinham donos eram estes chicoteados e maltratados.

LADO DIREITO 

Os negro escravos mas que ja tinham dono podendo andar em alguns lugares trabalhar mas tudo restringido pelo seu dono, tendo algumas regalias: andava melhor vestido, se alimentava melhor e não era chicoteado como os outros.

 Na capoeira primeiro fato famoso foi um célebre jogador de Capoeira que foi consagrado nos versos e prosas com um cordão de ouro  chamado  Besouro o cordão de ouro, após esse período  em 1969  se cria a primeira graduações de cordoes na Associação de Capoeira Senzala,ja em 1972 foi implantado  a recém Federação de Capoeira um sistema de graduação de cordões baseado nas cores da Bandeira e ja nesta mês época duas associações são contra a recém atitude da federação  paulista de Capoeira, sendo estas a Ass. de Capoeira Capitães  da Areia  e a Ass. de Capoeira Cativeiro não usando o sistema de cor e fundamento da federação por que a capoeira era escravizada pela Bandeira  e em pleno regime Militar; em  protesto criaram um sistema de graduação baseado nas fases da escravidão e o outro nas bases das cores da Religião Afro...
 Axé.
                

MESTRE BICHEIRO 



domingo, 3 de abril de 2016

Mestre Anand das Areia



Mestre Caiçara


Mestre Caiçara

Foi no Recôncavo baiano, um lugar de segredos, mistérios e muita magia que nasceu um dos maiores nomes da História da capoeira de todos os tempos. Foi no dia 08 de maio de 1924 que Dona Adélia Maria da Conceição, famosa Ilalorixá da cidade de Cachoeira deu a luz ao menino Antônio Conceição Moraes, que futuramente seria conhecido como Mestre Caiçara.  

A infância humilde e sofredora não impediu esse Cachoeirano de mergulhar de cabeça nas várias manifestações que o Recôncavo, 
"o berço da cultura brasileira", proporciona aos privilegiados nativos do lugar. Alem de respirar as tradicoes ancestrais Caiçara tambem conheceu também outras culturas, foi praticante de Jiu-Jitsu, Boxe, Luta Livre e Luta Greco-Romana, porém foi na capoeira que escreveu a História e ficou famoso no mundo no mundo todo.

Em 1938, aos 14 anos anos de idade começou a praticar capoeira com o Mestre Aberrê, esse lhe ensinou os segredos e mistérios da capoeiragem, mas foi o mestre Valdemar que lhe aperfeiçoou no canto e no toque de berimbau. Mestre Caiçara foi uma das figuras mais polêmicas da História da capoeira, um caderno de 200 folhas seria pouco para contar a sua História e também as estórias a seu respeito ao longo dos seus 59 anos de ginga. 

A Religiosidade:

Conheceu o candomblé e os seus mistérios através da sua mãe Adélia Maria da Conceição. A mesma o-teria preparado para assumir o seu lugar após a sua morte, foi questão de tempo para jovem Caiçara se tornasse respeitado no segmento, transformando se em um dos maiores líderes religiosos e conhecedores da religião afro em território brasileiro. Dependendo da quantidade de inimigos a sua reza forte era uma arma infalível na hora que a força física se esgotava, pois quem o-conhecia sabia que não era de enfeites as várias e diferenciadas guías que trazia em volta do pescoço. Chegou a ter duas casas de cadomblé uma na Rua Uruguaia em Salvador e outra na cidade de Goiana no estado de Pernambuco. Porém se desgostou e abandonou o candomblé depois de ver a patifaria que o mesmo havia se tornado naquele determinado período, a cachaçada, a prostituição, o tráfico e muitas outras mundanices que naquele momento permeavam os terreiros de Salvador o fizeram afastar da religiosidade.

As polemicas:

Durante a sua juventude Caiçara trabalhou de magarefe(abatedor de bois), o próprio dizia que quando queria arrumar uma encrenca, matava o boi bebia o sangue e saia feito um louco procurando brigas.

Rodou a Bahia testando a capoeira, ao todo foram 27 cicatrizes pelo corpo causadas por ferimentos de balas, navalha, faca, punhal, facão e etc. Cicatrizes essas que ele fazia questão de mostrar erguendo a camisa durante uma ladainha, pronunciando a seguinte frase:" ie... sou mandingueiro".

As confusões com a polícia:

 Ao mesmo que era preso pela polícia por desacato, brigas, capoeiragem, ou algum outro tipo de delito, Caiçara se contradizia pela sua autoridade reconhecida por muitos dos soldados do seu tempo que não ousava prende-lo.

Caiçara e o prefeito:

Nos anos 60 o Mestre Caiçara juntamente com o Mestre Traíra, usando a capoeiragem trabalharam fazendo capangagem política para o então prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães.

Caiçara no Cangaço:

o mestre Dizia com orgulho que fez parte de um bando de cangaçeiros ainda na adolescência, narrava com emoção as suas performances no bando, mostrava para todos a foto dele vestido de cangaçeiro ao lado dos companheiros. Dizem que hoje essa foto se encontra em poder dos seus familiares. 

A bengala:

A bengala que o mestre sempre carregava e se apoiava, não era apenas um objeto para descanso e equilíbrio de um idoso, era uma e dependendo da situacao se tornava-se uma arma fatal. Aquela bengala lhe foi dada pelo seu mestre antes de morrer, que segundo Caiçara o seu Mestre sempre andava com bengalas 

Cobra mordeu Caiçara e morreu:

Segundo certa vez foi picado por um Jaracuçu, porém o mestre apelou para o seu santo e após rezar a cobra morreu, em seguida ele fez o corrido. " cobra mordeu Caiçara e morreu"

Mestre Caiçara x Mestre Bimba:

Certa vez Caiçara foi até o nordeste de Amaralina numa formatura do mestre Bimba e sentou-se como espectador na platéia. 
alguns turistas chamavam pelo nome do mestre Bimba que ainda não tinha entrado, foi nesse momento Caiçara gritou:
   - “O mestre sou eu”.

Os discípulos do mestre Bimba quiseram tirar satisfação  Porém Bimba disse:
 -Vamos fazer a exibição, depois
a gente acerta tudo.

No final do evento ambos foram jogar, e em um determinado momento Bimba lhe aplicou uma bênção partindo os lábios e lhe quebrando o nariz.

Caiçara então disse:
      - O que é isso mestre?

Respondeu Bimba:
    - Isso é pé meu filho.

O arrependimento e pedido de perdão ao mestre Bimba:

Em novembro de 1972, quando Bimba se despedia de Salvador para ir residir e trabalhar em Goiânia, o Mestre Caiçara, que há muitos anos não falava com ele, foi fazer as pazes com o antigo mestre e disse-lhe: “Sou o terceiro mestre da Bahia, depois do Senhor e do Mestre Pastinha, desculpe a minha ousadia”. Não vai embora mestre, a Bahia precisa do Senhor. 
No campo das conquistas o mestre não foi bobo não, ao longo da vida teve mais de 30 filhos com com inúmeras mulheres. Em um determinado período da sua juventude o mestre morou com duas mulheres ao mesmo tempo durante um ano, onze meses e seis dias, fato esse que ele tinha orgulho em narrar, pois sempre falava da sua vitalidade masculina para com as duas companheiras. 

A paixão pelas crianças:

Uma coisa que deixava o Mestre Caiçara furioso era ver crianças maltratadas, ao longo da vida adotou vários meninos(as) de rua. No mês de outubro ele sempre  fazia um carurú com seis mil quiabos no dia de São Cosme e São Damião e anunciava no carro de som para a alegria da meninada encostar. Outra grande paixão do mestre era os seus passarinhos, ele criava muitos, segundo o mesmo eram os pássaros o seu despertador pelas manhãs. 

Roupa de homem não dá em menino:

Essa frase nasceu depois que um jovem rapaz hoje conhecido no mundo da capoeira se apresentou como mestre em uma roda onde Caiçara era umas das atrações, ao questionar o rapaz sobre a sua História na capoeira pronunciou a seguinte frase: -" Coloquei se no seu lugar de aluno, roupa de homem não dá em menino rapaz".

Está aprendendo a soletrar e já acha que sabe ler:

Certa vez Caiçara jogava em uma roda quando viu um antigo aluno se a mostrando demais, o Mestre  o chamou para o jogo e acertou, deu lhe uma cabeçada certeira e disse:
   - " essas crianças de hoje são assim, começam a aprender soletrar e já acham que sabe ler.

Em 1969 gravou um LP cantígas de capoeira, toques de berimbau e Samba de Roda. O disco que questão que se tornou relíquia tem como título o nome da sua academia. Academia de Angola São Jorge dos iIrmãos Gemeos do Mestre Caiçara, a sua academia era sempre representada nas cores da famosa camisa verde e vermelha que o mestre sempre usava em suas rodas. 

Assim era o mestre Caiçara, conhecedor e defensor das tradições, valente porém com a alma de uma criança, polêmico, sério, extrovertido, brincalhão. Caiçara era imprevisível, foi o rei do Pelourinho em período onde a boêmia comandava aquele lugar, ali estavam presentes os donos da noite como: Prostitutas, traficantes, travestis, leões de chácaras, bicheiros e etc. Todos tomavam a sua bênção e respeitavam a figura mais respeitada do Pelô. 

Foi um dos maiores cantadores da capoeira de todos os tempos. Quem nunca ouviu falar sobre as ladainhas das festas de largo da Bahia? Pois é era ali que o mestre soltava o seu vozeirão que emocionava quem ouvia.

No dia 26 de agosto de 1997 a Bahia, a capoeira e toda a cultura brasileira choraram, Caiçara partiu para morar com Deus deixando muita tristesa nas rodas da terra, porém  o seu nome, esse se tornou imortal e hoje roda o mundo através da capoeira.

Fontes: 
. áudios extraídos do mestre Caicara em ouro preto no ano de 1987.

.capoeiristas e mestres famosos da Bahia(Pedro Abib)

texto:
Antônio Luiz dos Santos Campos
 ( boa alma )

Postado por Mestre Bicheiro


quinta-feira, 2 de julho de 2015

HEROIS NEGROS


HISTÓRIA DO PANDEIRO


ORIGEM DO BERIMBAU



A ORIGEM DO BERIMBAU



                        Sua origem se perde na poeira dos milênios, porque o instrumento nada mais é que um modelo de arco, um dos primeiros instrumentos usados pelo homem para produzir sons, há quase 20 mil anos. A grande dúvida dos estudiosos, até hoje sem resposta, é se foi o arco usado para atirar flechas que deu origem ao arco musical – tataravô do berimbau – ou se ocorreu o contrário. Seja como for, o instrumento ganhou a forma que tem hoje entre as antigas tribos nativas africanas. Tudo indica que ele teria chegado ao Brasil já em 1538, junto com os primeiros escravos. Aqui, ele passou a ser identificado como elemento típico da capoeira. “O berimbau é a alma dessa mistura de dança e arte marcial, definindo tanto os movimentos quanto o ritmo”, afirma a historiadora Rosângela Costa Araújo, doutoranda na USP e fundadora do Grupo Nzinga de capoeira-angola. Isso não significa, porém, que seu som hipnótico se mantenha restrito às rodas de luta.
Na África, ele marca presença como acompanhamento musical de rituais fúnebres – e no Brasil também foi usado, no século XIX, por escravos recém-libertados para atrair compradores para os doces que vendiam nas ruas. Apesar do jeitão de objeto improvisado, o berimbau é um instrumento sofisticado, capaz de emitir várias sonoridades. Numa roda de capoeira autêntica, ele costuma aparecer em trio, cada um com um diferente tamanho de cabaça (sua caixa de ressonância). Quanto maior ela for, mais grave é o som.
Fonte:Web
Postado por Mestre Bicheiro

quinta-feira, 2 de abril de 2015

DIA DO CAPOEIRISTA


03 de agosto - Dia do Capoeirista - afinal quando é?

Hoje, 03 de agosto, é celebrado o "dia do capoeirista", uma data comemorativa que se popularizou entre os capoeiristas de todo o Brasil. Resolvi pesquisar um pouco mais sobre essa dia e fazer algumas reflexões. 

Antes que alguém diga, minha intenção não é desvalorizar essa data, pelo contrário, tenho um respeito profundo demais pela capoeira, quem me conhece sabe disso, para tentar fazer algo que diminua seu valor. Porém, gosto de estudar e analisar as coisas. Procuro sempre compreender aquilo que me cerca e se desconheço algo, procuro conhecer. Uma data como essa não podia passar batido.

Bem, o ponto de partida da minha reflexão se inicia com um questionamento acerca dessa data: já que temos muitas datas importantes na capoeira que poderiam marcar essa comemoração, por que especificamente o dia 03 de agosto foi escolhido?

Pensei um bocado tentando identificar o que haveria acontecido de relevante para a capoeira nesse dia, a ponto de ser instituído como o dia do capoeirista. Dei uma vasculhada na memória e na internet buscando algum fato histórico que tenha acontecido nessa data, mas não encontrei nada. Na internet existem vários comentários nesse mesmo sentido, mas nenhuma explicação satisfatória.

A primeira dica surgiu quando localizei a norma jurídica que provavelmente deu origem a essa comemoração. É a Lei nº 4.649 de 07 de agosto de 1985 do estado de São Paulo e de autoria do deputado Tonico Ramos. 

Analisando os fatos, percebe-se que provavelmente a escolha da data foi aleatória, ou refere-se a alguma peculiaridade da capoeira paulista (camaradas paulistas, se souberem algo relativo ao assunto, estamos interessados em saber). 

Tentei localizar o projeto de lei no site da Assembléia Legislativa de São Paulo, mas o projeto não existe digitalizado, então só dá pra consultar indo lá pessoalmente. Talvez com a leitura da justificativa e os fundamentos do projeto dessa lei seja possível encontrar algo relativo a escolha da data.

Reparem que a legislação é estadual e não nacional como muitos pensavam (inclusive eu). Assim, as comemorações em tese deveriam se restringir ao estado de São Paulo, mas a data caiu no gosto da capoeiragem e é nacionalmente aceita por muitos como um dia de celebração.

A exemplo de São Paulo, outros estados e municípios brasileiros também promulgaram leis semelhantes instituindo em datas distintas o dia do capoeirista, dia da capoeira ou a semana municipal da capoeira. Abaixo seguem alguns exemplos:


- Lei Estadual nº 3.778 de 15/03/02: institui o dia da capoeira no estado do Rio de Janeiro em 23/11;


- Lei Municipal nº 8.212 de 05/04/10: institui o dia da capoeira no município de Florianópolis em 01/08;


- Lei Municipal nº 9.470 de 19/05/04 e Lei Municipal 8.940 de 08/07/02: institui a Semana Municipal de Capoeira no município de Porto Alegre entre os dias 1º e 7 de agosto


Aqui no Ceará temos:


- Lei Estadual nº 14.925 de 24 de maio de 2011: instituiu no estado do Ceará o Dia da Capoeira em 20 de novembro;


- Lei Municipal nº 9.041 de 21 de novembro de 2005: instituiu no município de Fortaleza a Semana Municipal de Capoeira na semana que incidir o dia 20 de novembro.


Há ainda muitos quem consideram o dia 15 de julho como sendo o Dia Nacional da Capoeira, pois foi nessa data que em 2008 o Iphan registrou a capoeira como patrimônio cultural brasileiro. 


Paralelamente, encontrei referência ao dia 03 de outubro como sendo o Dia da Capoeira, mas não consegui localizar o fundamento jurídico dessa data. Se alguém souber, me avise.

É importante considerar que para ser uma data comemorativa nacional, a iniciativa deve se dar através de lei e no Brasil ainda não foi publicada uma lei que trate sobre a capoeira nesse sentido. 

O que existe são projetos de lei que ainda não foram aprovados, mas estão em trâmite na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. Fazendo uma busca no site do Senado Federal encontrei 2 importantes projetos de lei que estão em movimentação e tratam do Dia Nacional da Capoeira:


- PL 2858/2008 de autoria do Deputado Carlos Zarattini sugerindo o dia 12 de setembro para ser o Dia Nacional da Capoeira e do Capoeirista. Este PL foi apensado ao PL 50/2007 que está na pauta da Comissão de Turismo e Desporto;


- PL 7536/2010 de autoria do Deputado Márcio Marinho sugerindo o dia 20 de novembro para ser o Dia Nacional da Capoeira. Este PL está aguardando parecer da Comissão de Educação e Cultura.


Nessa confusão de datas, o que vale é o que se diz por aí: dia da capoeira é todo dia. E mais importante do que debater sobre datas, é que cada um de nós capoeiristas saibamos reconhecer o valor que essa arte ancestral tem e militar todos os dias por sua valorização e preservação.

Atualmente a capoeira vivencia uma fase de grande importância em sua trajetória. Dando uma volta ao mundo, a capoeira foi das senzalas ao Senado. Nesse momento, presenciamos a execução de políticas públicas específicas para a capoeira, cabendo a nós participar ativamente desse processo.

O que eu desejo aos camaradas capoeiras, não só hoje, mas todos os dias, é que sejamos bons de pernada, mas também bons na papoeira e no debate acerca do futura da nossa capoeira.

No mais, muito axé!


Leia mais: http://bibliotecadacapoeira.blogspot.com                                                                                                                                                                              

 POSTADO  POR MESTRE  BICHEIRO

quarta-feira, 25 de março de 2015

Manoel Henrique Pereira





  Besouro a Lenda…

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa o homem apelidado de besouro mangangá, realmente existiu. Infelizmente muito pouco se sabe sobre essa figura envolta em lendas e mistérios que permanecem desde seu nascimento até a sua morte e que os mais velhos ainda lembram em suas história

Nascido em 1897 em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, filho dos ex-escravos João Grosso e Maria Aifa, Manuel Henrique Pereira (seu nome de batismo), teve toda sua vida permeada por muito misticismo. Não se sabe quando, mas iniciou seus primeiros passos na capoeira com Mestre Alípio, também ex-escravo, mais precisamente na Rua do Trapiche de Baixo. Diziam que besouro era um negro alto e muito forte e na capoeira possuía uma agilidade sem igual. O que provavelmente fez com que recebesse o apelido de ”besouro”, ou “besouro mangangá” (gênero de besouro venenoso).
Outros dizem que seu apelido se deve ao fato de uma vez tendo armado uma confusão, e vendo-se cercado de policiais, besouro simplesmente “sumiu”. Um policial atordoado com a cena, disse para o parceiro: “Você viu pra onde foi aquele negro? E o outro respondeu: “Vi sim. Ele virou um besouro e saiu voando”. Era exímio jogador de capoeira, assim como no manejo do facão e da navalha. Incluindo o jogo de “santa-maria”. Jogo violento onde os capoeiristas jogavam com uma navalha presa aos pés.
Esses são somente alguns dos “causos” contados sobre a figura baiana.
Soldado do exército
Besouro teria servido ao exército em determinada época de sua vida. Certo dia viu entre os objetos confiscados pelo exército um berimbau, pois a capoeira ainda era proibida naquela época. Besouro, que já era iniciado na capoeira, tentou com sua patente de soldado, resgatar o instrumento, mas não teve êxito, pois seu superior alegou que aquilo era uma ferramenta de vagabundos e vadios e que um soldado nada tinha que ver com o instrumento. O resultado foi uma briga entre besouro e seu superior que precisou de vários outros soldados para prender besouro e deixá-lo em observação. Depois disso besouro foi expulso do exército e passou a trabalhar nas fazendas do recôncavo baiano.

Presente de amigo
Era costume besouro presentear seus amigos mais chegados com penas de pavão arrancadas dos chapéus dos valentões do recôncavo baiano

Hoje é feriado
Diziam que besouro era tão respeitado que às vezes chegando à cidade, mandava que os comerciantes fechassem as portas, pois “ele” havia decretado feriado. E ai de quem não obedecesse.

A barraca de amendoim
Certo dia passeando no mercado, besouro resolve experimentar um amendoim em uma das barracas, mas recebeu do comerciante, um tapa na mão e ainda falou que estaria proibido de pegar os amendoins. Besouro então disse para o comerciante:
– Você não sabe com quem está falando.
Então besouro virou para os clientes do mercado e simplesmente convidou a todos para se servirem dos amendoins do comerciante. Sabendo então de que se tratava do temido besouro mangangá, o comerciante ficou assistindo aos clientes comerem toda sua mercadoria. Quando acabaram os amendoins, besouro perguntou quanto devia e pagou para o comerciante.

Quebrou para São Caetano
Uma história contada pelo primo Mestre Cobrinha Verde era a de que uma vez besouro conseguiu emprego em uma usina em Santo Amaro, onde o patrão tinha fama de não pagar aos funcionários. Diziam que quando era chegado o dia do pagamento o patrão simplesmente dizia que o salário “quebrou pra São Caetano”. Essa era uma expressão usada na região que significava que não haveria salário. Além do mais dizia que quem contestasse o patrão era surrado e amarrado a uma árvore até o final do dia. Besouro já tendo tomado conhecimento disso, ficou esperando sua vez de receber. Quando foi chamado, o patrão disse a frase: seu salário “quebrou pra São Caetano”. Mas acontece que ele não estava falando com qualquer um. Besouro pegou o patrão pelo cavanhaque e disse “Pague o dinheiro de Besouro Cordão de Ouro. Paga ou não paga?” O patrão morrendo de medo pagou besouro que pegou o dinheiro e foi embora.

No pé da cruz
Certa vez besouro, depois de tomar sua arma, obrigou o soldado a beber uma grande quantidade de cachaça no Largo da Santa Cruz, um dos principais de Santo Amaro. O soldado, depois disso se dirigiu até a delegacia e comunicou o ocorrido ao seu superior, o cabo José Costa, que decidiu mobilizar dez homens para capturar besouro morto ou vivo. Besouro vendo os soldados chegando, saiu do bar e se encostou a uma cruz que havia no largo e com os braços abertos disse que não se entregava. Então os soldados abriram fogo e só pararam quando besouro estava caído no chão. Cabo José Costa chegou perto do corpo e deduziu que estava morto, quando de repente, besouro se levantou, tomou sua arma e ordenou que levantasse as mãos, depois mandou que os outros soldados fizessem o mesmo e mandou que todos fossem embora e cantou os seguintes versos:

Lá atiraram na cruz/ eu de mim não sei/ se acaso fui eu mesmo/ ela mesmo me perdoe/ Besouro caiu no chão fez que estava deitado/ A polícia/ ele atirou no soldado/ vão brigar com caranguejos/ que é bicho que não tem sangue/ Polícia se briga/ vamos prá dentro do mangue.

A estranha morte de besouro
Muitas também são as histórias sobre a sua morte, mas uma delas é até hoje cantada em todas as rodas de capoeira.
Besouro havia conseguido trabalho como vaqueiro na fazenda do Dr. Zeca, fazendeiro da região. Dr. Zeca tinha um filho, cujo apelido era Memeu, que tinha fama de valentão e certa vez besouro teve uma discussão com o filho de fazendeiro e acabou batendo nele. Temendo pela vida do filho, Dr. Zeca procurou logo acabar com besouro. Para isso, mandou que besouro fosse trabalhar em outra de suas fazendas. Mais precisamente na fazenda de Maracangalha. Mas primeiro entregou uma carta a besouro que deveria ser entregue por ele ao administrador da fazenda. Mal sabia ele que aquela carta era a sua sentença de morte. A carta mandava simplesmente que o portador fosse morto por ali mesmo. Besouro, que era analfabeto, nada sabia sobre o conteúdo da carta achando se tratar de uma simples recomendação. Quando o administrador recebeu a carta, mandou que besouro esperasse até o dia seguinte para saber a resposta e que esperasse ali mesmo na fazenda. Assim no dia seguinte, besouro ao se apresentar foi cercado por quarenta homens, que abriram fogo contra ele mas as balas nada fizeram. Então um homem conhecido como Eusébio da Quibaca, provavelmente conhecedor das “mandingas”, atacou besouro pelas costas com uma faca de “tucum”, faca feita da madeira de uma árvore que dizem ter poderes mágicos e que era a única coisa capaz de ferir um homem de corpo fechado. Besouro morreu jovem aos 27 anos de idade, no dia 8 de julho de 1924, mas deixou um legado vivo até hoje. Contam ainda que besouro mesmo ferido conseguiu fugir de canoa e chegar até a Santa Casa de Misericórdia em Santo Amaro, mas devido ao ferimento não resistiu. E o mais incrível. Consta um documento nos autos do processo (PEREIRA 1920 –1927: 21) movido por Caetano José Diogo contra Manoel Henrique dizendo:
Besouro é Manoel Henrique Pereira – vaqueiro, mulato escuro, natural de Urupy, residente na usina de Maracangalha; dava entrada na Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro da Purificação – Bahia, com um ferimento perfuro-inciso do abdômen. Veio a falecer no dia 8 de julho de 1924 às 7 horas da noite, conforme registro na folha 42 v. do livro n° 3, linha 16, leito 418, de entrada e saída de doentes.
Existem tantas outras histórias sobre como aconteceu a morte de besouro, seria necessário uma postagem inteira dedicada a esse assunto, mas o mais importante é que devemos ter besouro como um herói brasileiro. Um homem que com sua própria força sempre lutou contra as injustiças praticadas contra um povo menos favorecido.
Suas proezas são lembradas em todas as rodas de capoeira em suas várias cantigas. Suas lendas são contadas e cantadas até os dias de hoje pelos mais antigos mestres da capoeira na Bahia.
Existem também, muitas outras lendas sobre besouro, muitas delas já caíram no esquecimento ou se perderam no tempo. E em meio à contradições é que a figura de besouro continua viva não só para os jogadores de capoeira, mas também na cabeça de todos os amantes da cultura de nosso país.

POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

Rafael Alves França,




Mestre Cobrinha Verde

O Mestre Cobrinha Verde, viveu entre 1917 e 1983 e foi um dos mais temidos e respeitados capoeiristas de sua época. 
Nascido na cidade de Santo Amaro da Purificação, berço da capoeira baiana, afirmava ser um parente legítimo do lendário capoeirista Besouro Mangangá, mais precisamente seu primo. Foi com ele que aos quatro anos de idade que se iniciou na arte da capoeiragem. Além de seu primo, também teve a oportunidade de aprender com os mais famosos capoeiristas daquela época, como Siri de Mangue, Canário Pardo e Doze Homens. 
O apelido “cobrinha-verde” foi dado pelo próprio Besouro Mangangá, devido à sua agilidade e destreza com as pernas. Foi um dos poucos conhecedores do jogo de “Santa Maria”. Toque onde os capoeiras jogavam com navalhas entre os dedos dos pés e chegou a ser o mais antigo capoeirista em atividade.

Alcançou o posto de 3° Sargento no antigo Quartel do CR em Campo Grande e chegou a participar da revolução de 32. Após dar baixa no exército, começou a dar aulas de capoeira na Fazenda Garcia. Também ensinou no Centro Esportivo de Capoeira Angola Dois de Julho, localizado no nordeste de Amaralina. Chegou a dividir os trabalhos com Mestre Pastinha, onde passou seus conhecimentos para seus alunos que incluíam os futuros mestres, João Grande e João Pequeno.

Cobrinha Verde sempre ensinou a capoeira de graça. Conforme foi contado por ele próprio, seu primo Besouro o fez prometer que jamais cobraria dinheiro para ensinar a arte da capoeira. E essa promessa foi mantida até o final de sua vida.

Em determinada época de sua vida Mestre Cobrinha Verde sai do recôncavo baiano e viaja grande parte do nordeste se metendo em várias aventuras, entre elas, acompanhar o bando de cangaceiros de Horácio de Matos.

Em uma dessas aventuras contou que em certa ocasião, armado com um facão de 18 polegadas, enfrentou oito policiais que abriram fogo contra ele e com o dito facão conseguiu desviar todas as balas. Alguma semelhança com seu primo Besouro?

Esta e muitas outras façanhas eram atribuídas não só à sua agilidade e destreza, mas também a algumas mandingas que só os baianos do recôncavo conhecem. Contava o mestre que essas mandingas foram ensinadas por um africano de nome Pascoal que era vizinho de sua avó.
Dizia o mestre que possuía um patuá com poderes mágicos, que poderiam livrá-lo de inimigos e de algumas situações críticas, quando se metia em alguma confusão. Dizia também que esse patuá era vivo e que ficava pulando, quando era deixado num prato virgem. Mas um dia o patuá foi embora por causa de um erro que o mestre havia cometido.   

Depois de muitas aventuras e “causos” para contar, Cobrinha Verde volta à Bahia, onde vive até o final de sua vida.
Em 1963, foi convidado pelo ator de cinema Roberto Batalin, para gravar um disco de capoeira, junto com os mestres Traíra e Gato. Este disco recebeu o nome de “Traíra Capoeira da Bahia”. Foi um dos primeiros do gênero e é considerada uma obra prima da capoeira.

Em 1983, Mestre Cobrinha Verde se despede deste mundo, deixando um legado digno dos antigos mestres da capoeira da Bahia.

Salve Mestre Cobrinha Verde
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Revolta dos Malês



 Os escravos muçulmanos no Brasil

A Revolta dos Malês foi a tentativa dos africanos muçulmanos de conquistar a cidade de Salvador, na Bahia, no ano de 1835. Tencionavam matar todos os brancos, africanos que não eram muçulmanos e os mestiços, poupando somente os mulatos para serem escravos. Uma africana soube do plano e contou a um juiz, a insurreição foi abortada, porém, alguns africanos se rebelaram e a tentativa de conquista, transformou-se em revolta.

Antes de iniciar a saga dos africanos muçulmanos no Brasil, é preciso entender que para os europeus, negro queria dizer africano e crioulo eram os afrodescendentes nascidos na América. Os mestiços tinham categorias: mamelucos (filho (a) de branco e índia e vice-versa), mulato (filho (a) de branco e negra e vice-versa) e cafuzos (filho (a) de negro e índia e vice-versa).

Os africanos escravizados no inicio do século XIX eram vitimas da guerra étnica que ocorreu na África. Os escravos de origem bantos eram fetichistas e adaptaram sua cultura com a religião católica. Os escravos de origem muçulmana não aceitavam outra religião, os católicos e os africanos bantos eram tidos como infiéis.

Alguns africanos escravizados, conseguiam sua liberdade ao chegar no Brasil. Os africanos livres muçulmanos não se misturavam com os demais africanos livres, eram mais fortes e alfabetizados no árabe. Difundiam o islã através do Alcorão. Esses africanos passaram a serem chamados de malês pelos brasileiros.

Os africanos muçulmanos eram na grande maioria soldados de guerra que foram capturados por tribos inimigas e vendidos aos portugueses como escravos. Alguns eram mestre na arte da guerra. Os escravos africanos muçulmanos quando chegavam na Bahia, encontravam com seus companheiros de guerra que haviam sidos capturados anteriormente. Alguns livres, sobrevivendo entre os libertos e outros escravizados, de onde acabavam fugindo e formando quilombos.

No inicio do século XIX a África foi assolada por uma guerra étnica que fora incentivada pelos europeus. No atual país da Nigéria, a nação Haussá controlava o norte do país e a nação Ioruba o restante do país nigeriano. Os haussás sofreram influências da nação Fulá, que eram mçulmanos e converteram-se ao islã. Os fulás pertenciam a uma vasta família que controlava toda região ao sul do deserto do Saará.

Os haussás entraram em guerra contra os "infiéis" iorubas entre os anos de 1802 a 1810, os iorubas perderam a guerra e teve parte da nação vendida como escrava no período. Todo território dos iorubas foram anexados ao império dos haussás e surgiu o imperio Sókotô. Depois de conquistar os iorubas, o império Sókotô se desfragmentou e surgiram três impérios vassalos: Wurnô, Gandô e Adamauhá. Novas guerras foram surgindo, e impérios foram caindo. Os destinos dos prisioneiros de guerra era a escravidão nos canaviais da Bahia.

Os europeus chamavam todos os africanos da região do conflito de sudaneses ou nagôs. Os haussás e alguns nagôs eram mulçumanos, quando chegavam ao Brasil não se misturavam com os outros africanos e nem com os afrodescendentes. Os mulçumanos livres sempre se encontravam nos portos pra indentificar os novos escravos, se algum haussá ou nagô  fosse reconhecido, era imediatamente informado que não estava só.

Os africanos muçulmanos prepararam os planos para a insurreição de 1813, conhecida como Insurreição Haussá. O objetivo principal era conquista a cidade de Salvador, matando todos os brancos, mestiços e africanos não muçulmanos. Os mulatos seriam feitos escravos e os lideres formariam um governo muçulmano controlado por africanos.

Insurreição de 1807

Africanos livres da nação haussá que viviam em Salvador se organizaram e prepararam um levante contra as autoridades da cidade. Aos poucos foram montando um arsenal de guerra. A intenção era assassinar todos os brasileiros brancos, mestiços e afrodescendentes, iriam escravizar os africanos que não fossem muçulmanos e criar um império.

No dia 26 de maio, segundo Nina Rodrigues, no livro Os africanos no Brasil, um escravo confiou o plano a seu dono; o Conde da Ponte. O presidente da província da Bahia, Visconde de Anadia, foi comunicado e na manhã do dia 27 de maio, os capitões do mato e a tropa real invadiram diversos casebres de africanos libertos.

A liderança do levante foi pega de surpresa, foram presos setes dos lideres com "cerca de 400 flechas, um molhos de varas para arcos, meadas de cordel, facas, pistolas e um tambor". Anadia decretou que todo escravo que fosse encontrado nas ruas após às 21h, sem a companhia de seu dono, fosse preso com pena de cem açoites em praça pública.

No dia 20 de março de 1808, dos sete lideres; dois foram condenados à morte, um de nome Antonio e o outro Baltasar. Os demais foram açoitados em praça pública. O levante terminou sem ao menos começar.

Insurreição de 1809

No dia 26 de dezembro de 1808, um grupo de escravos haussás e nagôs uniram-se e fugiram dos engenhos do Recôncavo. No inicio de 1809, fundaram um quilombo e para sobreviver cometiam "toda a sorte de atentados, assassinatos, roubos, incêndios e depredações" contra os engenhos e fazendas da região.

A população livre ficou atemorizada. Geralmente quando os quilombolas invadiam um engenho, matavam os feitores e senhores de engenho com toda a sua família. Depois libertavam os escravos, matando os que não fugissem e queimavam a propriedade e o canavial.

A tropa real foi enviada para conter os quilombolas, alcançando-os "a nove léguas" do Recôncavo. Houve uma sangrenta batalha e os quilombolas foram massacrados. A tropa aprisionou oitenta escravos fugitivos, alguns gravemente feridos. Os quilombolas foram facilmente vencidos, mas os haussás e nagôs uniram-se no Brasil, mesmo sendo inimigos de guerra na África. O islã foi responsável pela união.

O levante não foi levado a sério pelas autoridades baianas, para eles eram apenas um grupo de escravos fugitivos que pertubavam a ordem cometendo crimes. Segundo Nina Rodrigues, "uma poderosa sociedade secreta, obgoni ou ohogbo, verdadeira instituição maçônica, governava os povos iorubanos".

 Insurreição Haussá de 1813

Ocorreu uma fuga em massa de escravos das propriedades de Manuel Inácio da Cunha Meneses e de João Vaz de Carvalho e de outros fazendeiros vizinhos. Cerca de 600 escravos haussás armados atacaram o povoado de Itapuã, assassinando os brancos que encontravam no caminho, "treze pessoas brancas foram encontradas assassinadas pelos negros em Itapuã e na Armação de Manuel Inácio, além de oito gravemente ferido".

Os haussás queriam tomar a Casa de Pólvora de Matatu, na véspera da festa de São João, na intenção de armar-se para invadir Salvador. O governador foi avisado e proibiu o uso de fogos de artifícios durante a festa de São João. Durante as investigações, chegou-se aos nomes dos lideres e trinta e nove réus foram condenados.

Mais uma vez a insurreição foi contida sem ao menos começar. Dos condenados; doze morreram na cadeia, quatro foram enforcados e os demais açoitados em praça pública, e posteriormente degredados pra Moçambique, Benguela e Angola pra sempre. Alguns foram entregues aos seus donos depois de implorarem por clemência.

Porém, o número de africanos haussás e nagôs não paravam de chegar a Salvador. Todos os escravos eram prisioneiros da guerra civil que assolava a África subsaariana, sendo que alguns eram mestre na arte da guerra. Era só uma questão de tempo pra que uma mega insurreição escrava acontecesse.

Insurreições de 1826, 1827 e 1830

Entre os anos de 1802-1810, desembarcaram de forma oficial nos portos brasileiros 68 navios da África Setentrional com um total de 17.691 escravos de origem nagô. Da África Meridional chegaram 69 navios com 20.841 escravos de origem banto. Sabe-se que o número de escravos que desembarcaram de forma clandestina, era igual ou superior ao oficial.

A guerra étnica africana se espalhou da Nigéria após 1810, atingindo os atuais países: Angola, Congo, Gabão e Camarões. A pratica de capturar prisioneiros de guerra e vende-los como escravos, tornou a escravidão uma atividade altamente lucrativa. Impérios surgiram e foram conquistados, e as sucessivas guerras abasteceu o Brasil por décadas com os escravos africanos.

Quando esses escravos chegavam ao Brasil, encontravam antigos combatentes vivendo no país. Alguns livres e outros escravizados. A tortura física e psicológica em que passavam os africanos entre a captura na África e a venda no Brasil, logo desaparecia quando encontravam com seus iguais. Descobriam que o inimigo eram os portugueses, e a união entre os haussás e nagôs tornou-se espontânea, ambas nações era de maioria muçulmana.

Após a insurreição haussá de 1813, os africanos muçulmanos foram se organizando. Africanos fugitivos criaram o quilombo do Urubu, em Pirajá. A lider do quilombo era a africana de nome Zeferina. No ano de 1826, os nagôs entraram em contato com o quilombo do Urubu e propuseram uma aliança. O plano era tomar de assalto à cidade de Salvador na véspera de natal.

No entanto, no dia 17 de dezembro de 1826, um grupo formado por capitães do mato foi a Pirajá, na intenção de capturar escravos fugitivos e destruir o quilombo do Urubu. Os capitães do mato desconheciam que os quilombolas estavam se preparando para uma guerra e achavam que não encontrariam resistência. Quando chegaram no local foram surpreendidos e massacrados.

Os sobreviventes escaparam se embreando na mata, os quilombolas foram atrás deles e atacavam todos pelos caminho, "deixando em estado grave uma mulatinha, um capitão do mato e outras pessoas". Entusiasmados pelo sucesso do ataque, os quilombolas resolveram antecipar o ataque, sem avisar os muçulmanos que planejavam o ataque no natal.

A polícia de Pirajá soube do ataque quilombola contra os capitães do mato e no mesmo dia reuniu cerca de vinte homens e fotram até o quilombo do Urubu. Ocorreu uma batalha sangrenta no local, muitos quilombolas morreram e os sobreviventes foram capturados e escravizados.

Entre os capturados estava a líder Zeferina, que confessou o ataque aos capitães do mato, alegando legitima defesa. Zeferina contou também que tencionavam atacar à cidade de Salvador no natal com ajuda do malês. As autoridades não deu importância, não passava pela mente deles que os africanos podessem atacar a capital.

No dia 22 de abril de 1827, escravos muçulmanos do engenho Vitória, próximo a Cachoeira, provocaram uma rebelião nos engenhos do Recôncavo. Foram precisos dois dias de intenso combate para conter a rebelião. A polícia permanente obteve êxito e os rebelados foram mortos e os sobreviventes punidos.

Porém, quase um mês depois, no dia 11 de março de 1827, nova insurreição escrava aconteceu em salvador. Um grupo de africanos escravizados escaparam de um armazém e foram até o engenho do Cabrito e libertaram todos os escravos. O 2º Batalhão de Pirajá foi acionado e atacou os africanos. Muitos morreram e os sobreviventes foram punidos.

Os africanos continuavam se organizando, e no dia 01 de abril de 1830, cerca de vinte escravos africanos nagôs "atacaram três lojas de ferragens na cidade baixa com fim de se apoderarem de armamento". Depois de armados, foram até "os armazéns de negros novos de Vesceslau Miguel de Almeida" e libertaram mais de cem africanos, matando os que não queriam fugir.

Em seguida foram atacar a guarda policial, que contava com apenas oito homens, e mataram um policial. A polícia recebeu reforços e conseguiram repelir o ataque dos africanos. Que "foram destroçados e dispersos, morrendo mais de 50 e ficando prisioneiro mais de 40. Muitos, porém, dispersaram-se pelos matos de São Gonçalo e Outeiro.".

Nos anos que se seguiram, os africanos haussás e nagôs foram se organizando. Tinham seus próprios lugares de encontro, em geral na casa de algum africano muçulmano liberto. Os malês consideravam os africanos bantos fetichistas, e não se misturavam com outros africanos que não fosse muçulmano.

Entre os malês, somente os haussás sabiam ler e escrever em árabe, os mestres eram chamados alufás, na época, o alufá mais conhecido da Bahia era o africano Sanin; batizado Luís, já o mais venerado era o alufá Licutan; batizado Pacífico. Licutan era alfabetizado no árabe e ensinava o islã aos demais africanos.

A grande insurreição de 1935 

O alufá Sanin, pregava na casa dos nagôs libertos Belchior e Gaspar da Silva Cunha, na Rua da Oração. As reuniões muçulmanas eram realizadas na casa dos nagôs libertos Manuel Calafate e Arpígio, na ladeira da Praça, na loja do segundo sobrado e também na casa do haussá liberto Elesbão do Carmo, conhecido como Dandará, a casa ficava "no Beco de Mata-Porcos".

No ano de 1835, o alufá mais importante para os africanos muçulmanos era o Licutan. Era escravo do Dr. Varela, e costumava pregar o islã nas lojas da casa do seu senhor, no Cruzeiro de São Francisco. Licutan sabia ler e escrever em árabe, "reunia os patrícios nagôs e levava-os para seu quarto".

Dr. Varela contraiu dividas junto aos frades carmelitas, não pagou e teve seu escravo Licutan empenhorado, que acabou preso na cadeia de Ajuda. Todos os dias Licutan recebia visitas dos nagôs, que não se conformavam com a prisão de seu principal alufá.

Os nagôs conseguiram arrecadar o dinheiro para pagar a fiança de Licutan, porém, as autoridades não aceitaram o dinheiro e o manteve preso. Os nagôs se revoltaram e prometeram libertar Licutan a força após o ramadã. Já havia décadas que os africanos muçulmanos tencionavam tomar de assalto a cidade de Salvador, a negativa de libertação do alufá Licutan, mesmo pagando a fiança foi o estopim necessário para a revolta muçulmana.

No dia 24 de janeiro de 1835, "os combativos malês decidiram tomar o poder na última noite do nono mês islâmico, dedicado ao jejum diário, Laila-al-Qadr". A reunião foi marcada na casa dos libertos Calafate e Arpígio. Um grupo de africanos muçulmanos de Santo Amaro também participaria do plano. Estava armado o cenário para a guerra santa.

O plano dos africanos muçulmanos era o mesmo da insurreição haussá de 1813. Tencionavam tomar a cidade de Salvador, matando todos os brancos, mamelucos, afrodescendentes e africanos não muçulmanos que não aderisse o movimento. Poupando somente a vida dos mulatos pra que fossem escravos. Formando um governo muçulmano no Brasil.

No entardecer do dia 24 de janeiro de 1835, a africana nagô liberta Sabina da Cruz, ao chegar em sua casa após "seu turno" a encontrou toda revirada. Atribuiu a desordem a seu companheiro de nome Saule; batizado Vitório, pois tinha discurtido com ele na parte da manhã. Foi a procura dele na Rua da Guadalupe, na casa de uns africanos libertos, amigo de Saule.

Chegando a casa, Sabina encontrou a africana Edum que lhe confiou o plano da revolta, dizendo que Saule participaria e estava em reunião na casa de Belchior e Arpígio. Sabina apavorou-se e contou o plano a seu amigo, o nagô liberto Domingos Fortunato, companheiro da nagô liberta Guilhermina, que trabalhava para o juiz de paz.

Guilhermina foi até o "juiz de paz do 1º distrito do curato da Sé" e lhe contou o plano da revolta dos malês. O juiz avisou o presidente da província que colocou de prontidão a força do exército e todas as guardas, o responsável pela operação era o "chefe de polícia, dr. Francisco Gonçalves Martins", o visconde de São Lourenço.

Às 23 horas, a polícia cercou a casa de Arpígio e Belchior. O que desconheciam é que cerca de sessenta africanos estavam no local. O inquilino responsável, o "pardo Domingos Marinho de Sá" impôs resistência, os africanos perceberam a movimentação e ficaram de tocaia em um dos cômodos, então a casa foi invadida.

Quando a polícia abriu a porta do cômodo em que estavam os africanos, foram surpreendidos por um tiro de bacamarte. Na sequencia surgiram "60 negros armados de espadas, lanças, pistolas, espingardas, etc., e aos gritos de: mata soldado!". O tenente se feriu e os soldados retrocederam.

O grupo então decidiu antecipar o levante e foi até a cadeia pública em Ajuda, para libertar Licutan. A polícia, ciente do eminente ataque, conteve os africanos que não conseguiram invadir a cadeia. Os africanos foram até o largo do Teatro para comunicar aos outros africanos que o lavante havia sido antecipado. No caminho encontraram "uma força de oito soldados permanentes que sobre eles dera uma descarga".

Entusiasmados, os africanos seguiram em frente e foram até o forte de São Pedro, no quartel da artilharia, matando e ferindo a todos que encontravam no caminho. No quartel travaram uma batalha, um sargento foi ferido, mas como a polícia e o exército já sabia sobre um eventual levante, mais uma vez os africanos não conseguiram invadir.

Decidiram ir para Vitória e se agrupar com outros africanos muçulmanos. Em maior número, foram até o quartel da polícia, "na Mouraria, onde houve forte tiroteio". A polícia fechou o portão e o grupo de africanos não conseguiu invadir, porém, mataram alguns policiais no confronto.

Resolveram tentar invadir a cadeia em Ajuda novamente para libertar o Licutan. Estavam confiantes, pois estavam em maior número em comparação a primeira tentativa de invasão. O chefe de polícia estava em Bonfim e decidiu ir com a cavalaria para Água dos Meninos, a fim de impedir a invasão da cadeia.

Eram três hora da madrugada, a população foi agrupada na igreja do Bonfim e a cavalaria marchou para o quartel e aguardaram os africanos. Um grupo de policiais permanentes foram ao encalço dos africanos, no confronto, os africanos mataram um dos policiais. E "desceram então para a Baixa dos Sapateiros, mataram em caminho mais um pardo, seguiram para os Coqueiros e, saindo em Água dos Meninos, travaram luta com a cavalaria" que já os aguardavam para o confronto.

"Na manhã de 25, que foi um domingo, as ladeiras e becos de Salvador fediam de cadáveres". Centenas de rebeldes africanos foram presos na cadeia pública de Ajuda,  o alufá Licutan, apenas olhava tristemente para seus companheiros muçulmanos que entravam na cadeia e em silêncio fez uma oração.

Na época, a cidade de Salvador contava com uma população de 50 mil habitantes, sendo 14 mil brancos, 25 mil africanos e afrodescendentes e 11 mil mestiços. As autoridades temiam que todos os africanos estivessem envolvidos, desconheciam que os africanos muçulmanos não tinham aliança com outros africanos não-muçulmano. Desconheciam o caráter religioso por trás da revolta.

Durante as investigações, foram encontrados anotações em árabe na casa dos nagôs Belchior e Arpígio. O alufá Sanin, foi condenado ao degredo pra África, mas teve a pena atenuada para 600 açoites em praça pública.  Já o alufá Licutan, mesmo estando preso foi acusado de participação e considerado o líder dos malês. As duas tentativas de invasão a cadeia para libertá-lo foi o suficiente para condená-lo. Teve uma pena de mil açoites e os recebeu.

No total, 234 africanos foram condenados ao trabalho forçado com os pés agrilhoados e açoitados em praça pública, 06 africanos foram condenados ao enforcamento e 33 foram deportados para a África. Terminava assim mais uma insurreição dos africanos muçulmanos, pena capital para os lideres da revolta, trabalho forçado para os afrodescendentes e degredo para os africanos libertos.

A insurreição de 1835, foi diferente das anteriores. A de 1813, foi organizada pelos africanos haussás e tinha um caráter religioso. Os brancos católicos e os afrodescendentes fetichistas, era tido pelos muçulmanos como infiéis. Foram vencidos mais se fortaleceram para as futuras insurreições.

A insurreição de 1826, foi motivada porque o quilombo do Urubu, da líder Zeferina fora atacado e revidaram, massacrando os capitões do mato. No anoitecer do mesmo dia estavam mortos pela polícia e os sobreviventes punidos. Na insurreição de 1830, foi oportunismo dos africanos muçulmanos que se libertaram e se armaram, atacando os armazéns dos escravos e os libertando-os.

Já a insurreição de 1835, foi totalmente diferente das anteriores porque teve um caráter religioso e de indignação por trás da revolta. Motivado pela prisão do principal alufá, que teve o pedido de liberdade negado após os nagôs terem arrecadado o valor da fiança. O ataque seria no fim do ramadã, mais foi descoberto e o levante fora antecipado sem que a maioria dos envolvidos soubesse o que estava acontecendo.

Mesmo que o levante tivesse êxito, os muçulmanos teriam dificuldades em manter um exército. A grande maioria dos africanos livres ou escravos, eram de origem banto; católicos e fetichistas. E os muçulmanos não eram sociais e mantinham distância dos demais africanos, falando apenas no seu diáleto.

Outro problema que teriam seria a falta de apoio politico e militar, os muçulmanos eram desconhecidos no Brasil, que tinha uma população católica, além de uma minoria de maçons. O plano de assassinar todos os brancos, mamelucos, afrodesdendentes e africanos bantos; sem apoio militar não duraria por muito tempo. O isolamento que os muçulmanos mantinham dos demais africanos, os levou a derrota.

Por isso, a insurreição de 1835 dos africanos muçulmanos foi considerada mais uma das revoltas dos escravos ocorrida na Bahia entre 1807 e 1835. Os africanos muçulmanos tinham sua cultura, suas raízes, eram guerreiros e alfabetizados. Porém, estavam em menor número em um país católico, e isso fez a diferença...

Fontes:

Rodrigues, Nina. Os africanos no Brasil; editora Madras. São Paulo, 2008.

Coleção Caros Amigos - Os negros, história dos negros do Brasil. editora Casa Amarela. São Paulo

Coleção Caros Amigos - Rebeldes Brasileiros - Homens e mulheres que desafiaram o poder. editora Casa Amarela. São Paulo. 2000

POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

  

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Zumbi dos Palmares e Mestre Bimba em cordel



Os dias 20 e 23 de novembro são, respectivamente, as datas de morte e nascimento de Zumbi dos Palmares e Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba.
Em novembro de 2006 publicamos o cordel " ZUMBI & BIMBA - Símbolos da Resistência Afro Brasileira " contando um pouco da trajetória destes grandes ícones da luta pela liberdade no Brasil. Dentro de nossas limitadas possibilidades, procuramos homenagear, informar e ajudar a preencher uma lacuna na literatura oficial:




" A história do Brasil
Que nos livros é contada
Muitas vezes se apresenta
De uma forma equivocada
Omitindo ou distorcendo
De maneira enganada

É claro que não podemos
Nunca generalizar
A minha intenção não é
De querer polemizar
Pois todos têm liberdade
Pra sua versão contar

Por isso em meus cordéis
Procuro sempre escrever
Histórias que muitos homens
Insistem em esconder
Mas que a memória do povo
Jamais irá esquecer

Zumbi dos Palmares foi
Um negro muito guerreiro
Lutou pela liberdade
Do povo afro brasileiro
Este sim, posso dizer
É um herói verdadeiro

Mestre Bimba é outro herói
Da história brasileira
Um negro também guerreiro
Que lutou a vida inteira
Buscando a dignidade
Da arte da capoeira ..."


E identificando também diversas semelhanças entre as personalidades e as histórias de vida dos dois:

" Zumbi e Bimba viveram
Duas épocas distantes
Mas tiveram em comum
Muitos pontos semelhantes
Vou tentar citar aqui
Alguns dos mais importantes

Os dois eram brasileiros
Eram negros, nordestinos
Descendentes de africanos
E ainda quando meninos
Escolheram seus caminhos
E traçaram seus destinos

Também eram lutadores
Corajosos e valentes
Nasceram pra liderar
Eram muito inteligentes
Lutavam pra seus irmãos
Viverem vidas decentes

Dedicaram sua vida
Defendendo um ideal
O Quilombo de Palmares
E a Capoeira Regional
E hoje são conhecidos
A nível internacional

Simbolizam até hoje
A marca da resistência
De um povo oprimido
E da nossa consciência
Da luta, da ousadia
Coragem e inteligência ..."




E os fatos que marcaram o mês de novembro em comum na celebração de seus nomes:

"Zumbi dos Palmares teve
Sua cabeça cortada
Por Furtado de Mendonça
Pra Recife foi levada
E em uma praça pública
Ela foi dependurada

Dia 20 de novembro
Foi o dia em que morreu
O maior guerreiro negro
Que o mundo já conheceu
Assassinaram Zumbi
O ideal sobreviveu

Mataram somente o corpo
Pois a alma é imortal
E também não conseguiram
Derrubar seu ideal
Zumbi dos Palmares hoje
É nosso herói nacional

Há mais de 300 anos
Zumbi vem simbolizando
A luta de todo o povo
Que continua lutando
Quanto mais o tempo passa
Sua fama aumentando

Mil seiscentos e noventa
E cinco Zumbi morreu
Duzentos e cinco anos
Depois que ele faleceu
No mesmo mês de novembro
Mestre Bimba então nasceu

Era 1.900
O dia foi 23
Como eu já disse antes
Novembro era o mês
Que nasceu mais um herói
Que o nosso Brasil fez..."


E o fim de suas vidas com a traição em comum e a certeza que suas lutas não foram e vão:

"Promessas falsas vieram
De vida nova em Goiás
Bimba deixou a Bahia
Partiu sem olhar pra trás
Em Goiânia ele sofreu
Dificuldades demais

Foi traído e enganado
Por alguém que confiou
Com toda sua família
Até fome ele passou
Chorou de tanta tristeza
Até que desencarnou

E assim como Zumbi
Morreu pela traição
Bimba também faleceu
Por causa da ingratidão
Mas entraram para a história
E não sofreram em vão

Jesus Cristo foi traído
Preso e crucificado
Foi xingado, foi cuspido
E até apedrejado
Por tentar salvar o mundo
De todo o seu pecado

Zumbi dos Palmares foi
A vida inteira atacado
Foi traído, esfaqueado
Baleado e degolado
Por lutar para que o negro
Não vivesse escravizado

Mestre Bimba também foi
Enganado e traído
Morreu longe da Bahia
Em Goiânia esquecido
Por lutar pro capoeira
Ter seu lugar merecido

Zumbi e Bimba morreram?
Isso eu não acredito
Com certeza estão agora
Em algum lugar bonito
Ao lado de Jesus Cristo
Nas terras do infinito

Mestre Bimba está no céu
Junto com Zumbi Guerreiro
Sorrindo só por saberem
Que acabou o cativeiro
E que hoje a capoeira
Já está no mundo inteiro

Todo ano em novembro
Eles vêm nos visitar
Nos dão força e coragem
Pra viver e pra lutar
Salve Zumbi & Bimba
Que Deus ponha em bom lugar"



A primeira edição do cordel patrocinada pela Petrobrás através do projeto Capoeira Viva do Ministério da Cultura está totalmente esgotado.
Para ler o texto na íntegra, teremos que aguardar o interesse de alguma editora e/ou patrocinador para uma nova edição. 
Fazemos tiragens especiais sob encomenda para escolas, universidades, ongs, grupos de capoeira e etc.
Contato pelo email
victorlobisomem@yahoo.com.br
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO