DOAÇOES

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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Venham conhecer Amigos e Camaradas as obras de Mestre Alemão Angoleiro

 Mestre Alemão Angoleiro

Contato zap: 02111982684196

Pix: 11982684196






























CAPOEIRA E A POLITICA

 Capoeira fez parte ou deve fazer parte da politica?

Por: João Pitoco historiador

Fonte:

https://www.instagram.com/reel/DeDCTNiSozD/?stkn=MXZiNGo5ZnV3ZzF4ZA%3D%3D





terça-feira, 29 de setembro de 2026

Mestre Leopoldina em Guarulhos

 



        O Mestre Leopoldina deu aulas por mais ou menos  2 anos em Guarulhos. Ele foi um dos pioneiros da capoeira no município trazendo para a cidade a beleza da Arte Cultura Capoeira. O início da permanencia do famoso Mestre da velha escola de Capadócio do Rio de Janeiro capoeirista carioca Demerval Lopes de Lacerda o "Mestre Leopoldina" em Guarulhos destaca-se pelos seguintes fatos históricos: 

Chegou em Guarulhos, em 1969: Mestre Leopoldina mudou-se para Guarulhos e começou a implantar e divulgar a capoeira na região.

Local das aulas: 

Ele dava aulas na garagem do Sindicato da Construção Civil, localizado no centro de Guarulhos ao lado do tradicional Colégio Virgo Potens. 

Parceria com Mestre Mirão: 

Ele permaneceu na cidade dando aulas por cerca de dois anos. Pouco tempo depois de sua chegada, uniu-se a ele o Mestre Mirão (Emílio da Conceição Nascimento), outra figura central que se tornou o grande   idealizador  e defensor da capoeira e suas tradiçoes em Guarulhos. 

Embora Mestre Leopoldina tenha passado um período  curto em Guarulhos antes de seguir sua caminhada (ele faleceu anos mais tarde em São José dos Campos), sua semente plantada deu frutos e se enraizou na cidade , que de uma simples  garagem do sindicato ajudou a fundar a rica tradição cultural e  capoeirista da cidade. 

A história que une Mestre Leopoldina e Mestre Mirão em Guarulhos é um dos capítulos mais bonitos e importantes da capoeira paulista. Ela envolve uma amizade profunda, um resgate no Carandiru e a fundação da primeira grande academia da cidade. Por volta de 1970, o icônico Mestre Artur Emídio (mestre de Leopoldina no Rio de Janeiro) veio a São Paulo e acabou sendo preso na Casa de Detenção do Carandiru após ser flagrado gingando em praça pública — uma herança dos tempos em que a capoeira ainda sofria forte perseguição e preconceito institucional. Ao saber da prisão, Mestre Leopoldina viajou do Rio para São Paulo com o objetivo de ajudar a libertar seu mestre. Foi nesse cenário de solidariedade que os caminhos de Leopoldina e de Emílio da Conceição Nascimento (Mestre Mirão) se cruzaram na capital paulista. 

Mestre Mirão, baiano de Sapeaçú que já residia em São Paulo, uniu forças com Leopoldina. Juntos, eles conseguiram a liberação de Artur Emídio. A partir dessa forte sintonia, Leopoldina decidiu se estabelecer na região e levou Mirão consigo para dar aulas em Guarulhos. O primeiro espaço de treino dessa parceria foi improvisado na garagem do Sindicato da Construção Civil, no Centro de Guarulhos (esquina da Rua Diogo de Farias com a ladeira Dom Pedro II). O arranjo: Mestre Leopoldina comandava os treinos, trazendo a essência da malandragem carioca e os ensinamentos que herdara do Rio de Janeiro. Mestre Mirão atuava lado a lado com ele. 

Após cerca de dois anos de trabalho intenso na cidade, Mestre Leopoldina decidiu seguir viagem. Ele passou o bastão dos alunos e o comando dos treinos integralmente para o Mestre Mirão, que adotou Guarulhos como seu lar definitivo. Após assumir a responsabilidade deixada por Leopoldina, Mestre Mirão expandiu o trabalho. Em 1972, os treinos que começaram no bairro Jardim Paraventi foram oficialmente transferidos para um espaço fixo no estacionamento das Casas Pernambucanas, na Rua Dom Pedro II. 

Nascia ali a tradicional Associação de Capoeira Rosa Baiana, a primeira grande academia formalizada de Guarulhos. A relevância da Rosa Baiana para a cidade inclui: 

Foi uma das primeiras academias a obter registro oficial na Federação Paulista de Capoeira, logo após sua criação em 1974.

 Sob a tutela de Mirão, a academia formou grandes nomes da história local, como o Mestre Facada (primeiro Campeão Paulista registrado pela federação) e o Mestre Delicado (primeiro Campeão Universitário)

Mestre Mirão e os alunos da Rosa Baiana foram os responsáveis por organizar os primeiros grandes festivais públicos da cidade e a I Semana de Cultura Afro-Brasileira de Guarulhos em 1979. 

Essa trajetória é tão marcante que a história de Mestre Mirão e o cinquentenário da capoeira guarulhense viraram tema do aclamado documentário cinematográfico

 Mestre Mirão - O Legado.

 Por Celia Nascimento

Se hoje Guarulhos é um polo respeitado de capoeiragem, tudo começou com a chegada de Leopoldina e o compromisso eterno de Mirão, da qual inúmeras Academias, Associações, se perpetuam em labuta acadêmica e cultural mantendo vivo o nome de seus precursores tradição hoje que se confunde com a história de resistência da própria Cidade  de Guarulhos,  um dos exemplos hoje é a Associaçao  de Capoeira Arte Negra  da qual hoje se mantém  a 45 anos de academia e seu Mestre  Jose Lapa filho " Mestre Lapa"é  a linhagem direta desta herança da capoeira e seu mais discípulo férreo, com as tradições e ideologias de seu Mestre Mirão " Emilio da Conceiçao Nascimento".

Fontes:

artigos da web, 

Facebook

E artigos de Mestre Peixe

terça-feira, 15 de setembro de 2026

BIBLIOTECA VIVA DE NOSSA ARTE CAPOEIRA


 BALUARTE  DR HONORIS CAUSAS

MESTRE CHURRASCO

Mestre Churrasco (Jean Batista Cleber Teixeira dos Santos), uma das maiores referências da capoeira gaúcha. 


Ele fez história em Porto Alegre ao se tornar o primeiro mestre de saberes tradicionais e culturas populares a receber o título de Doutor por Notório Saber concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 


A cerimônia oficial de titulação aconteceu na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, no Salão Nobre da Reitoria da universidade. O título reconhece formalmente sua trajetória de vida dedicada ao ensino da capoeira, à música, à confecção de instrumentos (como berimbaus) e à preservação da cultura afro-brasileira. Mestre Churrasco também já atuou como docente convidado na própria instituição dentro da disciplina Encontro de Saberes.(UFRGS)

Fonte

 https://www.correiodamanha.com.br/nacional/sul/2026/09/318840-mestre-churrasco-recebe-titulo-de-doutor-no-rs.html

https://www.facebook.com/ufrgsnoticias/videos/mestre-churrasco-%C3%A9-doutor-a-hist%C3%B3ria-da-ufrgs-ganhou-um-novo-cap%C3%ADtulo-mestre-chu/883799198003756/

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

"Ser ou não ser eis a questão!!!"

O Dia do Capoeirista, comemorado em 3 de agosto, teve origem na Lei Estadual nº 4.649 de São Paulo em 1985. A data não foi instituída por uma lei federal de âmbito nacional para o país inteiro, embora estados e municípios tenham adotado a comemoração...



O dia 15 de julho passa a ser Dia Nacional da Capoeira. A medida está prevista na Lei 15.469, sancionada pela Presidência da República e publicada na quarta-feira (15) no Diário Oficial da União (DOU).

A lei tem origem em projeto de lei da Câmara dos Deputados. No Senado, o PLC 17/2014 teve como relator o ex-senador Anibal Diniz (AC), que considerou que a criação de uma data oficial comemorativa reforça a importância da “arte-luta” como elemento de identidade cultural dos brasileiros.

A data escolhida se refere ao dia da reunião do conselho consultivo do Iphan que decidiu, em 2008, registrar a capoeira como patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Resistência física e cultural
Desenvolvida no Brasil a partir do século 18 por africanos escravizados, a capoeira reúne elementos de luta, dança, música e expressão cultural. Na justificativa do projeto, o autor, deputado federal Márcio Marinho (Republicanos-BA), afirma que a prática surgiu como forma de resistência física e cultural "aos abusos da sociedade escravocrata".

O texto original indicava a homenagem para 20 de novembro, coincidindo com o Dia da Consciência Negra. No Senado, o entendimento do relator foi de que a coincidência das datas seria inconveniente, e o dia foi mudado para 15 de julho. Como o texto foi modificado, a proposta retornou à Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção.

Segundo Anibal Diniz, a nova data associa a homenagem ao reconhecimento da capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial, destacando "uma das mais importantes características da capoeira: sua diversidade de estilos e manifestações regionais, pois foi exatamente o sentido da iniciativa do Ministério da Cultura que resultou em sua patrimonialização".
Fontes: web e Agência do Senado 



Lei 15.469/26


                      IÊHHHH...

     Eis mais uma contenda dentro de nossa comunidade capoeiristica, o que dizer sobre nossas internas indecisões,  sobre nossos fundamentos, seja musical, local ou estrutural.
    Não bastando as tantas que  ja labutamos, ainda não conseguimos definir uma data comemorativa  para nossa Arte, temos de nos atentar aos tantos caciques que fazem ou seu bel prazer e necessidades, sejam logísticas, políticas ou capacitativa. O importante que muito precisamos é nos unir e decidir  sem muitas delongas nossas bases.
      Será que essas estratégias, não são obras para confundir as mente de um todo  e não chegarmos a um senso comum?
     É  temos de tomar as rédeas de nosso próprio futuro políticos, sociais e comunitários em nossas próprias mãos, aí e só aí teremos voz perante o poder dominante e político do qual terão de reconhecer nossa força e união, até  lá ficará nas maos de poucos, sejam bendizentes ou galhofeiros oportunistas.
          AXÉ
                    MESTRE BICHEIRO

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Livro DESTEMIDOS

  "Destemidos" 

Herança Afro-americanas de nossas conquistas através do medo e da coragem

Este livro indaga ao leitor a busca da história de alguns dos heróis do passado Afro-americanos, que nos foi tirado  ao passar dos anos por subterfúgios racistas e segregativos.





Axé 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Malandragem tem nome certo na capoeira...

Demerval Lopes de Lacerda

"Mestre Leopoldina"

      Nascido no Rio de Janeiro,12 de fevereiro de 1933. E faleceu em São José dos Campos no dia de 17 de outubro de 2007. Considerado um dos maiores compositores de capoeira de seu tempo e o unico  legitimo  Capoeirista carioca de valor à carregar o Titulo da estirpe de Rei da Malandragem Carioca de sua epoca e que perdura  se misturando ao nostalgico contos de nossa contemporaineidade. 

      Foi discipulo do  famigerado e boemio, Mestre de Capoeira,"Mestre Quinzinho Carangola". Mestre Leopoldina era uma figura lendária ímpar da capoeira de outrora, conhecido por sua elegância, ginga e respeito profundo aos fundamentos da Capoeira. A sua história e ensinamentos sobre a arte da mandinga continuam sendo celebrados no meio da nata capoeiristica.  LAROYÊ SEU ZÉ...





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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Chico da Matilde "Dragao do Mar"


      

        Francisco Nascimento nasceu em Canoa Quebrada, distrito do município de Aracati, em 15 de abril de 1839, de origem pobre e filho do pescador Manoel do Nascimento e da dona Matilde Maria da Conceição. Aos oito anos, com a morte precoce do pai, sua mãe buscou um emprego para ele, quando ainda criança, tornando-o um menino de recados em navios que iam do Maranhão ao Ceará.

      Até os 20 anos, Chico da Matilde — conhecido assim por causa do nome da mãe — trabalhou no veleiro do comendador português José Raimundo de Carvalho como embarcadiço e depois como comandante, percorrendo portos do Norte e Nordeste.              Além disso, também trabalhou na construção do porto e como chefe dos catraieiros, até ser nomeado prático-mor na Capitania dos Portos do Ceará.Também alugava jangadas para transporte de pessoas e mercadorias.

       Tinha uma casa próxima ao Seminário da Prainha, em Fortaleza e casou-se primeiramente com Joaquina Francisca — que também se envolveu na causa abolicionista — e novamente em 1902, quando já viúvo, com Ernesta Brígido, sobrinha de João Brígido. Consta que ele andava sempre bem vestido, com a barba bem feita e tinha noções de inglês e alemão.

       O paradeiro do túmulo de Francisco Nascimento — desconhecido há mais de 100 anos — foi descoberto pelo historiador cearense Licínio Nunes de Miranda em julho de 2020, no âmbito de um trabalho de investigação acadêmica sobre a abolição da escravidão no Ceará.

      Em 25 de março de 1884, o Ceará tornou-se a primeira província brasileira a abolir a escravidão. O Movimento Abolicionista Cearense, surgido em 1879, contribuiu — embora não decisivamente — para essa abolição pioneira.

       As ações repercutiram no país e os abolicionistas cearenses, gente de elite econômica e intelectual, foram congratulados pela imprensa abolicionista nacional. Entre eles havia, porém, uma pessoa humilde, de cor parda, trabalhador do mar, o Chico da Matilde.

      Chefe dos jangadeiros, ele e seus colegas se engajaram à luta pela abolição em janeiro de 1881, recusando-se a transportar para os navios negreiros os escravos que seriam vendidos para o Rio de Janeiro, tendo proferido, segundo algumas fontes, a célebre frase "no porto do Ceará não embarcam mais escravos". Posteriormente, em agosto de 1881, houve uma nova tentativa de embarcar escravos que seriam vendidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, contudo, novamente os jangadeiros, liderados por Chico da Matilde e pelo escravo liberto José Luis Napoleão, se recusaram a fazer o transporte e o porto do Ceará foi considerado, pelo movimento abolicionista, oficialmente fechado para o tráfico interprovincial.

       Segundo a historiadora Ângela Alonso "Os jangadeiros só conseguiram fazer o que fizeram porque tinham parte importante da elite política e das forças policiais ao seu lado". Um exemplo disso foi quando o tenente-coronel Sena Madureira fez elogios ao jangadeiro.

      Angelo Agostini registrou e homenageou o fato na capa da Revista Illustrada, com uma litogravura com ilustração alegórica de Francisco Nascimento, com a seguinte legenda: "À testa dos jangadeiros cearenses, Nascimento impede o tráfico dos escravos da província do Ceará vendidos para o sul".

      Assim, Chico da Matilde foi levado para corte com sua jangada, desfilou pelas ruas, recebeu homenagens da multidão e ganhou novo nome: Dragão do Mar ou Navegante Negro. De lá, escreveu à mulher: "(...) seu velho está tonto com tanta festa e cumprimentos de tanta gente importante".

     Francisco José do Nascimento é um símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão, e foi homenageado pelo governo do Ceará, com seu nome dado ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, pelo que ele e seus colegas realizaram em nome da liberdade, em 1881, na Praia de Iracema.

     Além do já referido Centro Dragão do Mar, há uma escola pública estadual cujo nome também homenageia o Chico da Matilde, localizada no bairro do Mucuripe, Escola de Ensino Médio Dragão do Mar, que foi fundada em 1955, com o objetivo de alfabetizar os filhos de pescadores que moravam na região àquela época. Um tradicional grupo de estudos liberal com sede no Ceará também recebe o título Dragão do Mar em sua homenagem. Em Aracati, é homenageado com o nome da rua que dá acesso a cidade pela BR-304 (sentido Icapuí) e o aeroporto regional. Já em Canoa Quebrada pela praça central da praia.

     Em 23 de agosto de 2013, a Petrobras, por meio de sua subsidiária Transpetro, lançou ao mar um novo navio petroleiro construído em Pernambuco e batizado Dragão do Mar.         De fabricação e bandeira brasileira, foi construído em Ipojuca, pelo Estaleiro Atlântico Sul e inaugurado em 14 de abril de 2014 com a presença da presidente Dilma Rousseff. A embarcação integrou uma nova geração de petroleiros construídos no Brasil. Foi o oitavo navio a ser construído depois do lançamento do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro, dos quais outros dois anteriores também receberam nomes de ícones da resistência negra: João Cândido e Zumbi dos Palmares.

Fonte: Wikipédia 

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Vertentes da Capoeira Carioca da dec de 20 a 40









Mestre Zeca Floriano vertente da Capoeira Carioca dec de 20 a 40

A temática do Professor Elton Silva, que sabiamente, explana sobre os caminhos da Capoeira Desportiva e seus principais atores e construtores, através dos tempos, nos mostra ,quanto vale apena ,adquirir os livros da coleção Muito antes do MMA . O primeiro Presidente, a ter conhecimento oficial da capoeira como luta metodizada, através do Mestre de capoeira Zeca Floriano ,filho do Presidente da República Marechal Floriano Peixoto ,foi o presidente Washignton Luis , em 1929 como comprova o Jornal Vida Carioca em 01/02/1929.Portanto, não foi o saudoso Mestre Bimba ,o primeiro Mestre de Capoeira, a levar para o Governo federal ,o conhecimento da Prática da capoeira em recintos fechados ,ou seja ,a Presidência da República ,a capoeira,como luta de ataque e defesa e ginástica nacional.

𝗠𝗲𝘀𝘁𝗿𝗶𝘀𝘀𝗶𝗺𝗼 𝗣𝗮𝘂𝗹𝗮̃𝗼 𝗠𝘂𝘇𝗲𝗻𝘇𝗮 .
𝗖𝗼𝗻𝗳𝗲𝗱𝗲𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗕𝗿𝗮𝘀𝗶𝗹𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝗣𝘂𝗴𝗶𝗹𝗶𝘀𝗺𝗼 - 𝗥𝗚 𝟯𝟭  𝗗𝗲𝗽𝗮𝗿𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗘𝘀𝗽𝗲𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗖𝗮𝗽𝗼𝗲𝗶𝗿𝗮 / 𝟭𝟵𝟳𝟯.

Durante minha primeira participação no Conect Cast, afirmei que a Capoeira baiana, tal como era praticada antes da sistematização proposta por Mestre Bimba (já fortemente influenciada pelo modelo esportivo carioca), muitas vezes se apresentava como uma espécie de “brincadeira”. Esse termo, vale lembrar, era amplamente utilizado por cronistas, folcloristas e estudiosos para descrever a prática em diversos contextos. No entanto, minha colocação gerou críticas severas por parte de alguns tradicionalistas, mestres e praticantes, especialmente vinculados à vertente da Capoeira Angola. Fui até mesmo xingado por defender esse ponto de vista. O curioso é que essa leitura está longe de ser inédita. Já nas décadas de 1930 e 1940, folcloristas como Edison Carneiro e Renato Almeida registravam, de forma clara, percepções semelhantes sobre a Capoeira. Em suas análises, destacavam as múltiplas formas regionais da prática e chamavam atenção para o processo em curso de construção da ideia de uma Capoeira “pura” e “tradicional”, frequentemente identificada com a Bahia. Para esses estudiosos, a Capoeira possuía múltiplas formas e interpretações, muitas delas marcadas por um forte componente lúdico, performático e festivo, traços que contrastavam com o modelo esportivo e combativo que ganhava espaço no Rio de Janeiro no início do século XX, especialmente por meio da escola de Mestre Sinhozinho e de seus contemporâneos, como Zuma, Zeca Floriano, Jayme Ferreira e o professor Mário Aleixo. Enquanto no Rio a Capoeira se alinhava a métodos de preparação física e combate real, na Bahia ela se mantinha, em muitos aspectos, como uma prática de exibição, ritual e jogo simbólico, o que não diminui sua complexidade, mas a insere em um outro modelo cultural. Edison Carneiro descreve a Capoeira baiana como uma prática essencialmente lúdica, coletiva e performática, uma “brincadeira” mais do que uma luta. Em suas observações, os “capoeiras” da Bahia “se divertem fingindo lutar”, o que demonstra um jogo mais marcado pela teatralidade e pela convivência do que pela violência. 
Essa forma de Capoeira se contrapõe àquela praticada no Rio de Janeiro, onde a luta aparece como instrumento de autodefesa e sobrevivência em meio à violência urbana herdada do século XIX. Renato Almeida reforça essa visão ao afirmar que a Capoeira cultivada na Bahia possui “interesse particular”. Ele dizia que fora da Bahia, seus passos serviriam apenas para lutas corporais, desprovidos do valor simbólico, folclórico e cultural que estavam enraizados no contexto baiano. Assim, reconhecer esse modelo lúdico da Capoeira não significa negá-la como luta, mas sim compreender a complexidade de sua trajetória histórica, feita de equívocos, reinterpretações e disputas simbólicas que atravessaram o tempo.
https://www.instagram.com/reel/DIpG5YrA7VM/?utm_source=ig_web_copy_link

𝗣𝗿𝗼𝗳𝗲𝘀𝘀𝗼𝗿 𝗘𝗹𝘁𝗼𝗻 𝗦𝗶𝗹𝘃𝗮 .
𝗘𝘀𝗰𝗿𝗶𝘁𝗼𝗿 𝗲 𝗣𝗲𝘀𝗾𝘂𝗶𝘀𝗮𝗱𝗼𝗿.

𝙈𝙚𝙨𝙩𝙧𝙚 𝘿𝙧 𝙝𝙘 𝙑𝙞𝙘𝙩𝙤𝙧 𝙋𝙚𝙥𝙚 
𝙀𝙢𝙗𝙖𝙞𝙭𝙖𝙙𝙤𝙧 𝙄𝙢𝙤𝙧𝙩𝙖𝙡 𝙙𝙖 𝙋𝙖𝙯 
𝘿𝙚𝙡𝙚𝙜𝙖𝙙𝙤 𝘾𝙪𝙡𝙩𝙪𝙧𝙖𝙡 𝙙𝙖 𝙊𝙈𝘿𝘿𝙃 
𝘾𝙖𝙙𝙚𝙞𝙧𝙖 𝙞𝙣𝙩𝙚𝙧𝙣𝙖𝙘𝙞𝙤𝙣𝙖𝙡 𝙉 𝟵𝟮



 

domingo, 20 de abril de 2025

Esquadrao Zuavos








 Os Zuavos da Bahia


Os Zuavos Baianos, oriundo dos Voluntários da Pátria, era unidade composta só de homens negros. Seus vistosos uniformes, segundo Gustavo 

Barroso, lembravam os dos zuavos franceses da Argélia. Eles vieram para o teatro-de-guerra em maio de 1865, no navio "São Francisco" (antigo 

"Cotopaxi", americano), em número de duas ,companhias. Com eles, o ilustre 1 º Ten de Engenheiros André Pinto Rebouças, da Comissão de Engenheiros do 2º Corpo de Exército ao comando de Osório. 


André Rebouças, após sair do Exército depois de um ano na Campanha do Paraguai, aliou-se, em 1880, a Joaquim Nabuco e veio a tornar-se um dos maiores abolicionistas; comparticipação relevante na causa de libertação dos negros no Brasil. O fato de haver seguido para a guerra em companhia de seus irmãos de cor e co-provincianos baianos é muito significativo. 


A despedida dos zuavos no Rio de Janeiro contou com o prestígio das presenças de D. Pedro II e do Ministro da Guerra Angelo Ferraz, mais tarde Barão de Uruguaiana. 


Eles se encontrariam com o Imperador cerca de 4 meses mais tarde, por ocasião do sítio e rendição dos paraguaios, em Uruguaiana, de cujo dispositivo fizeram parte.


Cândido Lopes, ao focalizar o acampamento de Curuzu, após conquistado pelos paraguaios, focalizou alguns grupos de zuavos da Bahia entre as tropas. Eles tiveram papel destacado na conquista das trincheiras de Curuzu, segundo Arthur Ramos, em "O Negro como Soldado."


O capitão capoeira Marcolino subiu a muralha inimiga por sobre as costas de um de seus soldados, retirou uma bandeira paraguaia, hasteou o pavilhão verde-amarelo no seu lugar e,

segundo Manoel Querino, anunciou: “Está aqui o negro zuavo baiano!” A coragem do Zuavo Marcolino foi louvada em ordens do dia, registrada naimprensa do Rio de Janeiro e de Salvador, e posteriormente lembrada por folcloristas, entre eles Querino


Os zuavos integraram, no início da guerra, cerca dos 57 Batalhões de Voluntários da Pátria, os quais, com· as baixas ocorridas durante a guerra foram se fundindo e se reduziram a 19. Assim, logo após os primeiros embates, a tropa de zuavos foi sendo incorporada às outras, depois de dissolvidas por Osório. 


O Conde D'Eu em seu livro 

"Viagem Militar do Rio Grande 

do Sul" em 1865, escreveu sobre os zuavos da Bahia:


"É a mais linda tropa do Exército Brasileiro. Compõe-se unicamente de negros. Os oficiais também são negros; e nem por isso piores oficiais, pelo contrário. Conversei propositadamente muito tempo com eles. Estavam a par de todos os pormenores do serviço e orgulhosos do seu batalhão."


Pouco depois de as tropas aliadas atravessarem o rio Paraná e invadirem o sul do Paraguai em abril de 1866, Francisco Otaviano de Almeida Rosa escreveu jubiloso, de Buenos Aires, ao ministro da guerra: “Um abraço pelos nossos triunfos. Vivam os brasileiros, sejam brancos, negros, mulatos ou caboclos! Vivam! Que gente brava!”

  

O entusiasmo do diplomata brasileiro pelos feitos militares dos seus patrícios não brancos coloca a questão do impacto da guerra na política racial brasileira.


Muitos ecoam a declaração de Otaviano e vêem a guerracomo uma experiência racialmente compartilhada que forjou a nacionalidade nos campos de batalha.


A história de Cândido da Fonseca

Galvão, mais conhecido como Dom Obá II (o título iorubá por ele adotado no Rio de Janeiro na década de 1880), que serviu numa das companhias de zuavos criadas na Bahia em 1865-66, revela a complexidade da experiência de guerra para a população negra. 


Profundamente monarquista, Dom Obá destacava seu serviço ao imperador como evidência do seu pertencimento à nação brasileira, mas também publicava críticas sofisticadas da discriminação racial que ele e o resto da população negra enfrentavam.


Por que o governo baiano resolveu recrutar companhias de zuavos e couraças em 1865 ainda é um mistério. Recrutar companhias de homens negros negava a bem-estabelecida política militar de não levar em conta acor dos soldados. As últimas unidades segregadas nas forças armadas brasileiras (os batalhões milicianos de homens pardos e pretos) tinham sido extintas em 1831, quando da criação da Guarda Nacional. O último vestígio da preferência racial no recrutamento, isto é, a exclusão de “homens pretos” das fileiras do Exército, foi abolido em 1837, quando o

governo do Regresso sentiu a necessidade de aumentar o seu efetivo.


Desde então, o Exército seria uma instituição formalmente cega à cor da pele, e que levava essa política ao extremo: na fé-de-ofício padrão

não tinha lugar para indicar a cor do soldado e, portanto, o Exército não podia fornecer essa informação básica às autoridades policiais encarregadas da captura de desertores


A proposta para a criação de companhias negras na Bahia veio de fora do Exército, como grande parte da mobilização patriótica de 1865-66. 


Quirino Antônio do Espírito Santo  se ofereceu, no dia 26 de janeiro de 1865, para organizar um “respeitável corpo de voluntários” de “cidadãos crioulos”, “que pelo seu denodo, coragem e amor àpátria recordariam mais uma vez os valorosos combatentes sob o comando do celebre Henrique Dias”. 


Quirino invocou o patriotismo que tinha sentido durante a guerra pela Independência (1822-23) e proclamou que, “impelido por uma força sobrenatural venho oferecer-me ao

governo para ir combater em prol da honra, integridade e soberania do Império, que vis gaúchos pretendem insanamente macular"


A proposta foi logo aprovada e, no dia 1º de fevereiro, Quirino se instalou no Forte do Barbalho e começou a organizar a companhia. Dentro de poucos dias, tomou o nome de “zuavos baianos” e o presidente aprovou uma subscrição para fardar os novos recrutas com o uniforme garboso das tropas coloniais franceses na Argélia.  Desconheçoo porquê da decisão de adotar o nome e o uniforme das tropas coloniais francesas. Na década de 1860, a moda zuava de bombachas vermelhas,colete azul bordado e pequeno boné ou fez já havia sido amplamentedivulgada entre diversos exércitos, tais como as forças do Norte e doSul na guerra civil norte-americana e as tropas internacionais do papa.


Onze companhias de zuavos, com um efetivo total de 638 homens, bem como uma companhia de couraças, de 80 homens, embarcaram na Bahia para o Rio de Janeiro e os campos de batalha antes demarço de 1866 (há alguns indícios de uma tentativa de criação de umadécima segunda companhia de zuavos, mas é provável que seus integrantes fossem para o Sul na qualidade de recrutas.


Muitos dos líderes da primeira fase da mobilização baiana haviam lutado na guerra pela Independência. Quando Quirino embarcoucomo tenente comandante da Primeira Companhia de Zuavos, seu comandante era o tenente-coronel José da Rocha Galvão, outro veterano

da Independência. 


José Elói Buri, capitão da Companhia de Couraças, também foi veterano das lutas de 1822 e 1823. Os couraças, aliás, lembravam os vaqueiros do sertão, vestidos de couro, que haviam

se juntado aos patriotas que sitiavam os portugueses em Salvador.  A essa lista de veteranos da Independência envolvidos na mobilização de 1865, podemos acrescentar o tenente-coronel Domingos Mundim Pestana, comandante do Terceiro Batalhão de Voluntários da Pátria, quehavia assentado praça em 1821, com a idade de 15 anos, bem como ocoronel Joaquim Antônio da Silva Carvalhal, o principal idealizador daSociedade Veteranos da Independência e figura chave na organização das companhias de zuavos


Poucos dos veteranos idosos resistiram aos rigores da campanha. Quirino faleceu em novembro no hospital de Montevidéu, e Pestana, doente e cego, já estava de volta a Salvador em fevereiro de 1866;morreu dois anos mais tarde. Outros resistiram por mais tempo. RochaGalvão foi morto durante a primeira batalha de Tuiuti (24 de maio de1866), e Buri sucumbiu ao cólera três dias antes de sua licença médicater sido anunciada, em fins de 1867. Enquanto podiam servir, todavia,

suas idades lhes garantiram o respeito de seus soldados, a julgar por

uma descrição da Primeira Companhia de Zuavos durante uma curta

escala em Desterro (hoje Florianópolis): Quirino foi descrito como “umvelho preto [que] parece um verdadeiro homem de bem, a quem os seussoldados respeitam-no como a um pai”


Nasua despedida da Segunda Companhia de Zuavos, Carvalhal conclamouos a combater “denodados contra os paraguaios como o intrépido e imortal Henrique Dias combateu outrora os holandeses e na gloriosa épocada Independência o denodado tenente-coronel Manoel Gonçalves [da

Silva], fazendo sobressair o valor e [a] bravura da vossa cor”.


Para oembarque da Primeira Companhia de Zuavos, Francisco Moniz Barreto,então o poeta baiano mais popular (e também um veterano da Independência), escreveu às pressas o “Hino dos zuavos baianos”, cuja primeira estrofe e o estribilho são bem representativos da retórica patriótica

de 1865:


"Sou crioulo: da guerra na crisma

Por zuavo o meu nome troquei

Tenho sede de sangue inimigo

Por bebê-lo o meu sangue darei

D’Henrique Dias

Neto esforçado

Voo ao teu brado

Pátria gentil!

Mais que o da França

Ligeiro e bravo

Seja o zuavo

Cá do Brasil"


Em 1870, três batalhões de Voluntários da Pátria voltaram à Bahia. Foram recebidos com muita festa e logo depois dissolvidos. Muitos solda-

dos deram baixa sem receber os soldos atrasados que o governo ainda lhes devia.  Poucos oficiais ou soldados das companhias de zuavos

estavam entre os veteranos que voltaram naquele ano. Carvalhal preparou uma coroa de louros para receber o capitão Barbosa, o único oficialzuavo mencionado pela imprensa baiana na sua cobertura das festas.


Em versos dedicados a Carvalhal, um poeta saudoso lamentou o falecimento dos “nossos velhos amigos”, Rocha Galvão, Buri e Quirino, osveteranos da Independência que haviam servido como exemplo à juventude baiana, e logo passaram a bandeira à nova geração.


A carreira militar dos oficiais zuavos, agora melhor qualificadosde ex-zuavos, pode ser seguida durante o resto da guerra. Muitos ingressaram as longas listas de baixas que se acumulavam nas trincheiras em frente da fortaleza de Humaitá e nos insalubres acampamentos alia-

dos. Além de José Elói Buri, o tenente Manoel Teodoro de Jesus faleceu de cólera. Um “ferimento de estilhaço de bomba” foi a causa da

morte do tenente Augusto Francisco da Silva em março de 1867, e mais dois oficiais dos ex-zuavos morreram de ferimentos ou de doenças.


Outros, como os capitães Marcolino e Maniva, deram baixa por incapacidade física não especificada, entre eles também o alferes Bernardino de Sena Trindade e o tenente Balbino Nunes Pereira. Poucos serviram por toda a guerra. O capitão João Francisco Barbosa de Oliveira, comandante da Terceira Companhia de Zuavos, fez toda a campanha, mas não foi promovido (de fato, nenhum ex-zuavo chegou a major; capitão foi a graduação mais alta alcançada por eles). 


Ferido duas vezes, Barbosa nunca pediu licença, como explicou com orgulho num requerimento pós-guerra; ele estava entre as tropas que mataram Francisco Solano López em Aquidabã.


O cadete Constantino Luiz Xavier Bigode foi capturado pelos paraguaios pouco depois da Batalha de Curupaiti e passou mais de dois anos como prisioneiro de guerra, trabalhando na fundição de Ybicuí. Liberado em 1869, ele voltou ao serviço e foi promovido a alferes em março de 1870.


José Soares Cupim Júnior teve menos sorte que Barbosa e Bigode. Um dos primeiros voluntários zuavos (assentou praça na PrimeiraCompanhia no dia 1º de fevereiro de 1865), ele embarcou como sargento, e durante a guerra aos poucos foi promovido até chegar a capitão.Louvado por atos de bravura na Batalha de Curuzu, foi ferido na segunda Batalha de Tuiuti (24 de setembro 1867). Restabeleceu-se e voltouao serviço, mas foi ferido no primeiro dia das lutas em Lomas Valentinas(21 de dezembro de 1868). Não resistiu e faleceu no dia 13 de janeirode 1869, pouco depois da ocupação aliada de Assunção. Em 1871, sua viúva, dona Panfília Luiza Tolentino Soares, passou a receber uma pensão anual de 720 mil-réis.


O parlamento aprovou a pensão para viúvas de mais quatro oficiais zuavos falecidos: Sabina Joana do Espírito Santo (viúva de Quirino), Francisca Maria da Conceição (viúva de Tolentino), Josefina das Trevas Lima (viúva de Inocêncio) e Arcanja de

São Miguel Silva Serra (viúva de Augusto Francisco da Silva). 


Infelizmente, nenhum desses homens deixou documentos que possam revelar sua visão política de forma tão extensa como fez o alferes Candido da Fonseca Galvão, melhor conhecido na década de 1880 no Rio de Janeiro como Dom Obá II, numa longa série de artigos nosjornais fluminenses. Como a maioria dos veteranos, eles se reintegraram à população livre e pobre de cor da qual tinham sido recrutados.

Em Salvador a memória dos zuavos perdurou. No início do século XX, Manoel Querino registrou seus nomes e seus feitos militares a partir de

tradições orais.


Fonte: O Exército e a Abolição. Claudio Moreira Bento/OS COMPANHEIROS DE DOM OBÁ:OS ZUAVOS BAIANOS E OUTRAS COMPANHIAS NEGRAS NA GUERRA DO PARAGUAI

Hendrik Kraay