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terça-feira, 13 de maio de 2014

Princesa Isabel! Assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888?


Princesa Isabel! Assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888?

A História da Abolição da Escravatura, a Lei Áurea, Movimento Abolicionista, 13 de maio, libertação dos escravos, História do Brasil, abolição dos escravos, escravidão no Brasil, os abolicionistas, escravos no Brasil,  Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários, abolição da escravidão no Brasil
Introdução
Na época em que os portugueses começaram a colonização do Brasil, não existia mão-de-obra para a realização de trabalhos manuais. Diante disso, eles procuraram usar o trabalho dos índios nas lavouras; entretanto, esta escravidão não pôde ser levada adiante, pois os religiosos se colocaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Assim, os portugueses passaram a fazer o mesmo que os demais europeus daquela época. Eles foram à busca de negros na África para submetê-los ao trabalho escravo em sua colônia. Deu-se, assim, a entrada dos escravos no Brasil.
Processo de abolição da escravatura no Brasil
Os negros, trazidos do continente Africano, eram transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Devido as péssimas condições deste meio de transporte, muitos deles morriam durante a viagem. Após o desembarque eles eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e desumana. 
Apesar desta prática ser considerada “normal” do ponto de vista da maioria, havia aqueles que eram contra este tipo de abuso. Estes eram os abolicionistas (grupo formado por literatos, religiosos, políticos e pessoas do povo); contudo, esta prática permaneceu por quase 300 anos. O principal fator que manteve a escravidão por um longo período foi o econômico. A economia do país contava somente com o trabalho escravo para realizar as tarefas da roça e outras tão pesados quanto estas. As providências para a libertação dos escravos deveriam ser tomadas lentamente.
A partir de 1870, a região Sul do Brasil passou a empregar assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros; no Norte, as usinas substituíram os primitivos engenhos, fato que permitiu a utilização de um número menor de escravos. Já nas principais cidades, era grande o desejo do surgimento de indústrias. Visando não causar prejuízo aos proprietários, o governo, pressionado pela Inglaterra, foi alcançando seus objetivos aos poucos. O primeiro passo foi dado em 1850, com a extinção do tráfico negreiro. Vinte anos mais tarde, foi declarada a Lei do Ventre-Livre (de 28 de setembro de 1871). Esta lei tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua promulgação.
Em 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários que beneficiava os negros de mais de 65 anos. Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no O dia 13 de maio de 1888 marcou oficialmente o fim da escravidão no Brasil, através de uma lei assinada pela Princesa Isabel, durante uma viagem de Dom Pedro II ao exterior. Naquela oportunidade houve uma série de comemorações, principalmente no Rio de Janeiro, capital do Império. Vários ex-escravos saíram às ruas comemorando o feito. É verdade que em várias regiões do país o trabalho escravo persistiu e só foi abolido no início do século XX. Ainda nos dias de hoje, volta e meia a imprensa nos dá informações sobre a existência do trabalho escravo em várias regiões do país.O movimento negro, então, resolveu abolir essa data e comemorar a negritude no dia 20 de novembro, denominado Dia da Consciência Negra. Razão mais que justa, pois, de fato, o 13 de maio foi uma data que ocorreu de “cima para baixo”, sem a participação dos principais interessados no tema, apesar de haver no Brasil um movimento abolicionista bem forte naquele período, principalmente nas cidades mais importantes do sudeste do país. O Dia da Consciência Negra não existe por acaso. Em 20 de novembro de 1695, Zumbi, principal liderança do Quilombo dos Palmares – a maior comunidade formada por escravos fugitivos das fazendas no interior de Alagoas – foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que resultou no início da destruição daquela comunidade. Portanto, comemorar o Dia da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva na memória coletiva essa figura tão importante para a história do Brasil e para o povo negro em especial. Não somente a imagem do líder, mas também a sua importância na luta pela libertação da escravidão e na melhoria das condições de vida para esse povo.Entretanto o 13 de maio de 1888 também tem seu significado. Liberal, a Princesa Isabel apoiava abertamente o movimento abolicionista. Ela chegou a amparar artistas e intelectuais que atuavam em favor do movimento da abolição da escravidão no Brasil. Muitos desses artistas e intelectuais apoiavam também a criação do sistema republicano no Brasil. Ela chegou a financiar a alforria de alguns escravos e dava guarida a muitos deles na sua casa em Petrópolis. Joaquim Nabuco, um dos grandes políticos do Império, afirmava que a escravidão no Brasil era "a causa de todos os vícios políticos e fraquezas sociais; um obstáculo invencível ao seu progresso; a ruína das suas finanças, a esterilização do seu território; a inutilização para o trabalho de milhões de braços livres; a manutenção do povo em estado de absoluta e servil dependência para com os poucos proprietários de homens que repartem entre si o solo produtivo". No dia 13 de maio de 1888 aconteceram as últimas votações de um projeto de abolição da escravidão no nosso país. A regente então, desceu de Petrópolis, cidade serrana, para aguardar no Paço Imperial o momento de assinar a Lei Áurea. Usou uma pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião, recebendo a aclamação do povo do Rio de Janeiro. O Jornal da Tarde, do dia 15 de maio de 1888, noticiou que "o povo que se aglomerava em frente do Paço, ao saber que já estava sancionada a grande Lei, chamou Sua Alteza, que aparecendo à janela, foi saudada por estrepitosos vivas. " É bem verdade que a Abolição da escravidão representou também a queda da monarquia no Brasil. Em 15 de novembro de 1889, o Império sucumbia, principalmente pela falta de apoio político daqueles que até então eram os únicos a sustentarem politicamente o Império: os grandes produtores rurais donos de escravos.
O 13 de maio, entretanto, não deve ser esquecido. Ele tem um lugar de enorme importância na história desse país e do povo brasileiro.
A vida dos negros brasileiros após a abolição
Após a abolição, a vida dos negros brasileiros continuou muito difícil. O estado brasileiro não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados no mercado de trabalho formal e assalariado. Muitos setores da elite brasileira continuaram com o preconceito. Prova disso, foi a preferência pela mão-de-obra europeia, que aumentou muito no Brasil após a abolição. Portanto, a maioria dos  negros encontrou grandes dificuldades para conseguir empregos e manter uma vida com o mínimo de condições necessárias (moradia e educação principalmente).
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO


domingo, 4 de maio de 2014

MESTRE ZÉ DE FREITAS

Mestre Zé de Freitas.
Nascido na cidade de Macaquinhos (BA), em 29 de abril de 1926, José de Freitas começou a treinar capoeira em 1946 com Mestre Caiçara, que depois de algum tempo o apresentou para o inesquecível Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão (o Poeta), virando assim seu discípulo.
Mestre Zé de Freitas foi um pioneiro da capoeira em São Paulo. Veio para terra da garoa ainda no final da década de 50, e começou suas atividades capoeirísticas (ainda proibida nessa época) num pequeno corredor de pensão de mais ou menos 3mt x 2mts, no bairro da Móoca.
Teve uma passagem no Clube CMTC, onde realmente deu-se início a trajetória da capoeira paulista., junto com outros grandes mestres, onde originou-se a capoeira que vemos hoje no centro sudeste de São Paulo. Trajetória essa que levou o Mestre Zé de Freitas a outro rumo, que a olhos de outros capoeiristas é complexa, assunto esse para falar-se futuramente em outro tópico.
Mestre Zé de Freitas formou capoeiristas que hoje também fazem parte dA história de nossa capoeira como: Mestre Pinatti, Mestre Joel, Mestre Mello, Mestre Serginho e Mestre Dulcidio (que hoje junto com o professor Marcelo representa o grupo Associação de Lutas Unidas Capoeira, fundada pelo Mestre Zé de Freitas).
Sua última vinda à São Paulo foi em junho de 2007, para participação de documentário chamado Reunião dos 9, onde tentam resgatar a história da Capoeira Paulista.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

HISTÓRIA DA CAPOEIRA

Capoeira
A própria palavra já denuncia seu nascimento no campo entre grandes movimentos de plantação de cana de açúcar.
As clareiras abertas na mata serviram de canal para a fuga dos negros em busca de liberdade e melhor condição de vida nos quilombos.
Mas há quem diga que a capoeira é própria da cidade, onde aquela brincadeira quase inocente das fazendas teria evoluído para a arte marcial. "Sem dúvida, ela nasceu no meio rural com a luta pela liberdade porem a malicia (mandinga capoeiristica) é urbana", afirma o pesquisador baiano Waldeloir Rego, autor de um clássico sobre o assunto, ensaio sócio-etnográfico à respeito do jogo de angola.
Só não podemos afirmar se a capoeira teve inicio em Salvador ou no Rio de Janeiro ou, provavelmente, se fez ao mesmo tempo nas duas cidades, e ainda em Recife.

Cronologia
Do século XVI ao século XVIII
1548 - Inicia a imigração forçada de escravos africanos para o Brasil.
Entre 1583 e 1598 - Primeiro registro do vocábulo capoeira na língua portuguesa: Pe.Padre Fernão Cardim (SJ), na obra: Do Clima e da Terra do Brasil. Conotação: vegetação secundária, roça abandonada.
1640 - Início das invasões holandesas. Desorganização social do litoral brasileiro. Evasão dos escravos africanos para o interior do Brasil. Aculturação afro-indígena. Organização de centenas de quilombos. Surgem as expressões: "negros das capoeiras", "negros capoeiras" e "capoeiras".
1712 – Primeiro registro escrito do termo capoeira, no Vocabulário Português e Latino, do Padre D. Rafael Bluteau, seu significado contudo não se refere à luta.
1770 - A mais antiga referência de capoeira enquanto forma de luta: "Segundo os melhores cronistas, data a capoeiragem é de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei Marquês do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo o apelidava de 'amotinado'. Viam os negros escravos como o 'amotinado' se defendia quando eram atacados por quatro ou cinco homens, e aprenderam seus movimentos, aperfeiçando-os e desdobrando-os em outros e dando a cada um seu próprio nome".
25 de abril de 1789 - Primeira menção da capoeira em registros policias na prisão de Adão, pardo, escravo, acusado de ser "capoeira".

Fontes:http://www.capoeiratorino.it/historia.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Cronologia_da_capoeira_no_Brasil

sábado, 8 de março de 2014

MULHER NA CAPOEIRA


A MULHER NA CAPOEIRA
Em todas as pesquisas feitas em torno da mulher na capoeira chegamos à mesma conclusão e ouvimos sempre as mesmas historias... de que a mulher foi um tanto discriminada, foi mal vista, mal tratada ou tratada com indiferença.E por ser uma luta que veio da escravidão dos negros, é algo que traz a idéia do preconceito incutido em sua bagagem, Mulher fazendo capoeira então nem se fala. Mas o Brasil, um pais de miscigenações e culturas diferenciadas, onde nasceu a capoeira, abre espaço lentamente para a entrada da mulher nos esportes antes tidos como masculinos. O futebol hoje, por exemplo, conta com a presença constante de mulheres. E assim acreditamos que vá acontecer também com a capoeira.Encontra - se documentos sobre os Mestres mais antigos, pois basta comentar sobre deles... e todo mundo já ouviu falar. Mas onde estão os documentos que falam de Maria Homem, Calça Rala... ou Satanás???E o que se dá por entender que os apelidos dessas mulheres? Que para jogar capoeira ela necessitava se masculinizar...para poder ser aceita na roda de malandros. O que gerava também mais um preconceito em cima do que já custava ser um capoeira... Agora somente bastava ser mulher!!!Na historia da capoeira conta se que Bimba foi um dos grandes Mestres que com sua capoeira trouxe mulheres para dentro da convivência masculina das rodas... e entre elas a famosa “Maria 12 Homens, Calça Rala, Satanás, Nega Didi e Maria Pára o Bonde."
Boas de brigas
 Personagens lendários como Rosa Palmeirão, a capoeirista que serviu de inspiração para a personagem de Jorge Amado no romance Mar Morto. Além dela, que era respeitada e temida, outra mulher arretada sacudiu o mercado, chamava-se Maria 12 Homens, também capoeirista e assídua freqüentadora das rodas do Cais Dourado e da rampa do Mercado Modelo. O sobrenome de Maria, a história de memória curta de Salvador não registrou, mas o apelido, diz a lenda que ela conseguiu depois de levar 12 marmanjos a nocaute.Hoje temos muitas mulheres famosas na Capoeira o que vem a fortalecer essa modalidade esportiva. Colocando em beneficio de aumentar a disciplina no cotidiano, modelar o corpo, obter mais agilidade e auxiliar no tratamento psicológico feminino, como um resgate de seu lado brincalhão que atualmente esta recôndita, agregado com a necessidade de impor seu lugar na sociedade machista! A capoeira em si, preferindo esse ou “aquele” estilo de jogo. Sendo ele capoeira é o que vale, elas querem é entrar na roda e jogar.Enfim a mulher veio colocar sua graça e delicadeza em um universo que antes somente pertencia aos homens como muitos outros onde elas vem se estabilizando e mostrando a que vieram, não para tomar conta, ou dominar, mas com a idéia de acrescentar, somar e deixar com certeza esses “mundos” mais belos!!!.Respeitadas por muitos Mestres sejam eles Angoleiros ou seguidores da capoeira Regional, as mulheres são dedicadas.Nas rodas de capoeira onde entram mulheres os rapazes sempre agradecem a presença delas por deixarem a roda mais bonita. E são elas cantadas em musicas pelo mundo inteiro, onde se contam as lendas que as mulheres eram disputadas em uma luta pelos jogadores. As canções trazem a mulher sempre com a saudade, a bela que abandonou o capoeira, ou a mulher que acompanha o jogador em sua vida. E assim até hoje, pois afinal quem lava os abadas? Mas essas Marias, cantadas em versos de Bimba ou Pastinha, são as Marias de hoje, guerreiras, lutadoras incansáveis que provavelmente depois da roda vão embalar seus filhos, fazer a comida, lavar o abada, cantar uma cantiga de capoeira para por o pequenino para dormir.Sejam elas brancas, negras, ou amarelas estão aqui e veio para ficar, como conseqüência aumentar a batalha para retirar da capoeira a imagem de marginalização que ficou do tempo dos escravos, ajudar a criarem um mundo diferente para seus filhos e filhas que queiram iniciar na capoeira, aprendendo a respeitar o próximo como igual.A importância da mulher na capoeira vai muito além da graça e beleza que elas proporcionam a essa manifestação. A mulher sendo respeitada e valorizada numa roda de capoeira garante que esse espaço seja cada vez mais um espaço democrático, onde a diversidade e a convivência harmoniosa entre os diferentes, significam um exemplo de tolerância e convívio social nesse mundo tão cheio de preconceitos e discriminações. Este exemplo é um dos ensinamentos mais importantes que a capoeira oferece às sociedades contemporâneas. Além disso, a mulher é fundamental no trabalho de organização da capoeira. Não podemos pensar numa academia ou num grupo de capoeira, em que as mulheres não ocupem um papel estratégico nessa função. Talvez isso se dê pelo fato da mulher possuir essa capacidade de organização num grau mais desenvolvido que os homens, talvez. Só sei que sem as mulheres nessa função, a maior parte dos grupos de capoeira de hoje em dia não sobreviveriam por muito tempo.

              “Vem jogar mais eu, mulher... vem jogar mais eu… que na roda de capoeira, o espaço também é seu!”



Leia mais: http://axesenzala.webnode.com.br/products/a-mulher-na-capoeira/

POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

MESTRE BIMBA

   


A Vida

Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado) filho de Luiz Cândido Machado e Maria Martinha do Bonfim,  nasceu no bairro de Engenho Velho, freguesia de brotas, Salvador Bahia em 23 de novembro de 1900. Recebeu esse apelido devido a uma aposta que sua mãe fez com a parteira que o " aparou " .  Ao contrário do que a  Mãe achava, a parteira disse que iria nascer um menino, se fosse receberia o apelido de "Bimba" pôr se tratar, na Bahia, de um nome popular do órgão sexual masculino.

A Prática

Começou a praticar capoeira aos 12 anos de idade na estrada das Boiadas, hoje o Bairro Negro da Liberdade, com o africano Bentinho, capitão da navegação Baiana. Foi estivador durante 14 anos e começou a ensinar capoeira  aos 18 anos de idade no Bairro onde nasceu no "Clube União em Apuros". Até 1918 não existia academias como hoje e treinava-se nas esquinas, nas portas dos armazéns e até no meio do mato.
O Surgimento da Regional

Consideramos ineficaz e muito folclorizada a capoeira da época, devido ao fato de movimentos eram extremamente disfarçados, mestre Bimba resolveu desenvolver um estilo de capoeira mais eficiente, inspirando-se no antigo "Batuque" (luta na qual seu pai era um grande lutador, considerado até um campeão) e acrescentando a sua própria criatividade, introduziu movimentos que ele julgava necessário para que a capoeira fosse mais eficaz. Então em 1928, mestre Bimba criou o que ele denominou "Capoeira Regional Baiana" por ser esta praticada única e exclusivamente em Salvador.

 O Reconhecimento da Capoeira no Brasil

A partir da década de 30, com a implantação do Estado Novo, o Brasil atravessou uma fase de grandes transformações políticas e culturais, onde os ideais nacionalistas e de modernização ficaram em evidência. Nesse contexto, surge a oportunidade de Mestre Bimba fazer com que o seu novo estilo de capoeira alcançasse as classes sociais mais privilegiadas. Em 1936 fez a 1º apresentação  do trabalho e no  ano seguinte foi  convidado pelo governador da Bahia, o General Juracy Magalhães, para fazer uma apresentação do palácio do governador onde estavam presentes autoridades e convidados, inclusive o presidente da época que gostou
muito da apresentação. Dessa forma a capoeira é reconhecida como "Esporte Nacional" Mestre Bimba foi reconhecido pela Sec. Ed. Ass. Pública ao estado da Bahia como Professor de Educação física e sua academia foi a 1ª no Brasil reconhecida por Lei.

A diferença

 O que faz com que Mestre Bimba se destacasse do demais capoeiristas de sua época, é que ele foi o  1º  a  desenvolver um sistema de ensino e a ensinar em recinto fechado. Além desse sistema , ele elaborou  técnicas  de  defesa Pessoal até mesmo  contra armas . Mestre Bimba preocupava-se demais com a imagem da  Capoeira, não permitindo  treinar  em sua academia aqueles que não trabalhavam nem estudavam.


 A Morte

Em 1973, Mestre Bimba, por motivos financeiros, deixou a Bahia, sob acusação de que os "Poderes Públicos" Jamais haviam o ajudado. Faleceu em Fevereiro de 1974 em Goiânia, vítima de um derrame cerebral.
Antigo Método de Treinamento de Bimba

Mestre Bimba desenvolveu o 1º método de ensino que vemos a seguir como ele funcionava:

 Exame de admissão

Dizia-se que em outros tempos, Mestre Bimba aplicava uma "Gravata" no pescoço do indivíduo que quisesse treinar e dizia "Agüenta ai sem chiar", Se agüentasse o tempo que ele mesmo determinava estaria matriculado. Mestre Bimba justificava esse critério dizendo que só queria macho em sua academia. Mais tarde mudou os critérios, Submetendo o Candidato a fazer alguns movimentos para que ele pudesse avaliar se o pretendente tinha condição ou não para praticar a capoeira regional. A próxima fase seria aprender a "Seqüência de Ensino".

O Aprendizado

O aluno nesse fase aprendia o que se chamava "Seqüência de Ensino" que eram as oito seqüências de movimentos de ataque, esquivas e contra ataque destinadas somente aos iniciantes, simulando as situações mais comuns que o aluno enfrentaria durante o jogo de capoeira.
Observação: Esse foi o 1º método de ensino criado para ensinar alguém a jogar capoeira e o calouro treinava essas sequências em  duplas sem o acompanhamento dos instrumentos. Quando estas estivessem bem decoradas o Mestre dizia: "Amanha você vai entrar no aço, no aço do Berimbau". Era comum naquele tempo dizerem que o capoeirista quando agarrado, não tinha como reagir.  Então mestre Bimba, com sua criatividade ensinava seus alunos quais eram as melhores saídas Todos esses ensinamentos faziam com que o método de mestre Bimba fosse incomparável e esse treinamento durava cerca de 3 meses só então é que o aluno seria batizado.

O Batizado

O batizado era quando o aluno jogava pela 1ª vez na roda com o acompanhamento dos instrumentos que era formado por 1 berimbau e 2 pandeiros. O mestre escolhia o formado que jogaria com o calouro e então tocava o toque que caracteriza a capoeira regional, para isso o calouro era colocado no centro da roda para que o formado ou o próprio mestre desse um apelido a ele. Escolhido o "nome de guerra" todos aplaudiam e então o mestre mandava o calouro pedir a  "Benção" do padrinho, e ao estender a mão para o formado que o batizou, receberia uma "Benção"(Golpe frontal dado com a parte inferior do pé empurrando o adversário na altura do peito) que o jogava no chão. Era necessários pelo menos, 6 meses de treino para se formar na Capoeira Regional. O exame era realizado em 4 domingos seguidos, no Nordeste de Amaralina, academia do mestre, os alunos a serem examinados eram escolhidos por ele. Durante 4 dias os alunos eram submetidos a algumas situações onde teriam que mostrar os valores adquiridos durante a fase de aprendizado, como por exemplo: força, reflexo, flexibilidade e etc. No último domingo é que o mestre dizia quem havia sido aprovado e então ensinava novos golpes e também marcava o dia da formatura.

A Formatura

 A cerimônia iniciava com uma roda de formados antigos para que as madrinhas e os convidados pudessem ver o que era a Capoeira Regional. Mestre Bimba ficava ao lado do som, que era formado por 1 Berimbau e 2 pandeiros, comandando a roda e cantando as músicas características da Regional. Terminada a roda, o mestre chamava o orador que geralmente era um formado mais antigo  para falar um breve histórico da Capoeira Regional e do mestre. Após o histórico, o mestre entregava as medalhas aos paraninfos e os lenços azuis (Graduação dos Formados) as madrinhas. O paraninfos colocava a medalha ao lado esquerdo do peito do Formado e as madrinhas colocavam os lenços nos pescoços dos seus respectivos afilhados. A partir dai os formados demonstravam alguns movimentos a pedido do mestre para mostrar a sua competência, incluindo os movimentos de "cintura desprezada", "jogo de floreio" e o "escrete" que era o jogo combinado com o uso dos Balões. Para terminar, chegava a hora do "Tira-medalha" onde o recém formado jogava com um formado antigo que tentava tirar a sua medalha com qualquer golpe aplicado com o pé. Só então depois de passar por isso tudo é que o aluno poderia se considerar aluno formado de mestre Bimba, tendo direito até de jogar na roda quando o mestre estivesse tocando Iuna que é o toque (onde quem joga hoje são só os mestres) criado por ele para esse fim. A partir dai só restava o curso de especialização que veremos a seguir.

O Curso de Especialização

Tinha duração de 3 meses, sendo 2 na academia e 1 nas matas da Chapada do Rio Vermelho Tratava-se de um treinamento de guerrilha, onde aconteciam as emboscadas, armadilhas e etc., que consistia em submeter o formado a situações das mais difíceis, desde defender-se
de 3 ou mais Capoeiristas, até defender-se de armas. Terminado o curso, o mestre fazia a mesma festa para os novos especializados, e estes recebiam o lenço vermelho a cor que representava a nova graduação. O aluno que se formava ou se especializava, tinha a o dever de pendurar um quadro com a foto mestre, do padrinho, do orador, e a própria foto.                     
Conclusão


Mestre Bimba realmente foi o grande "propulsor" da Capoeira no Brasil mas , muitos dos Métodos citados acima não são mais usados na verdade grande parte deles nao existe mais a muito tempo mas, foram muitos úteis. Para nós Capoeiristas só restam dizer: Muito obrigado ao Mestre Bimba.
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

MESTRE FRANCISCO 45

Francisco Tomé dos Santos  Filho

 O Mestre Bigo, nasceu em 1946, em Salvador-Bahia. Iniciou na capoeira em meados dos anos 50, após assistir a uma apresentação de capoeira onde viu Mestre Pastinha e Mestre Cobrinha Verde num emaranhado de corpos.Treinou na Academia de Mestre Pastinha até 1975 (época em que casou-se e veio para São Paulo), convivendo com grandes expoentes da capoeira, como: João Grande, João Pequeno, Natividade, Papo Amarelo, Jonas, Bola Sete, Gildo Alfinete, Genésio Meio Quilo, Roberto Satanás, entre outros.Após chegar em São Paulo ficou um tempo afastado da capoeira, mas afirma que em momento algum esteve separado dela, pois a capoeira está no seu sangue, correndo em suas veias. Em 1989, Mestre Bigo fundou a Academia de Capoeira Angola Ilê Axé, onde realiza um trabalho até hoje.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que Mestre Bigo concedeu à Revista Praticando Capoeira.
            P. Capoeira: Como era a Capoeira Angola na época em que você começou a praticar?
            Era um pouco diferente. Mestre Pastinha treinava Angola corrida e Angola amarrada. A Angola corrida era perigosa. Nós trocávamos pau com o pessoal da Regional. O regional levantava a perna lá em cima e o angoleiro dava rasteira. O angoleiro não levanta a perna lá em cima, pois sabe que se levantar vai cair.
            Antes, para cada jogo era cantada uma ladainha, depois vinha o improviso e depois o corrido. O capoeirista jogava um certo tempo, então parava a roda e começava a cantar outra ladainha. Tomava muito tempo da gente. Hoje em dia têm mais capoeiristas e em virtude disso, tem menos tempo para jogar na roda.
            P. Capoeira: Muitos capoeiristas que praticam Capoeira Regional afirmam que a Capoeira Angola é fraca como arte marcial. Qual a sua opinião?
            Não acho não. A angola tem mais malícia. A Regional é só ataque, defesa e raiva. O angoleiro entra na roda dando risada. Capoeira são duas cobras. A Regional tem um veneno só. Já a Angola tem o veneno de várias cobras. O Regional entra na roda, fecha a mão, fecha a cara para bater. Quer dizer, é como se fosse uma cascavel, que avisa que vai te pegar. O angoleiro é o contrário. Seria como todas as cobras, que procura atrair o seu agressor e dar risada, para dar um bote só, no momento certo. O angoleiro quando vê que vai dar o bote e não vai pegar, ele não dá. Ele só dá o golpe certo. Na angola são poucos golpes, mas são todos originais. O angoleiro não desperdiça golpe. Angola é malícia, é manha, maldade, falsidade, ataque e defesa, alegria e tristeza. Depois vem a mandinga, que é o tempo que faz. O angoleiro não confia em ninguém. Ele confia e desconfia. Ele finge que não vê, que não escuta. O pessoal da Regional despreza a Angola (sem generalizar), é igual mãe e filho. A Angola é a mãe, e uma mãe nunca despreza o filho. Tem muita gente da Regional indo para a Angola para adquirir conhecimento, pois é na capoeira Angola que está o conhecimento. A Capoeira Angola nasceu na ânsia da liberdade. Ela nasceu como uma luta. Que lutou na Guerra do Paraguai não foi Regional, foi Angola. O pessoal pensa que Angola é fraca, não é não. Quando os angoleiros estão jogando parece que os dois são uma pessoa só, um transmite uma energia muito forte para o outro.
            P. Capoeira: Qual era o sistema de ensino na Academia de Mestre Pastinha?
            Ele começava com a ginga, era o primeiro passo. Depois, o primeiro golpe que ele ensinava era a meia lua de frente, que era para conhecer o seu adversário. Depois ele ensinava mais golpes de frente. Então, ele passava a ensinar os golpes giratórios; rabo de arraia, meia lua de costas e outros.
            Agora, eu e Bola Sete gostávamos de chegar cedo para ficar conversando com o Mestre Pastinha, nós perguntávamos muitas coisas para ele e ele respondia. Ele dava muitos conselhos para nós, como:
            “Sempre dobre uma esquina aberta”
            “Não entre em lugar escuro”
            “Se você desconfiar que uma pessoa está armada, jogue um cigarro aceso em cima dela que ela vai colocar a mão na arma”.
            “Sempre que estiver em um bar, sente-se olhando nos olhos do dono do bar, pois se acontecer qualquer coisa, os olhos dele vão avisar”.
            P. Capoeira: Por que grandes mestres de capoeira Angola estão hoje, de certa forma, “esquecidos”, como aconteceu com Mestre Pastinha no final de sua vida?
            Isso aconteceu mesmo. Eu falo que a Capoeira Angola muitas vezes castiga a gente. Se você anda um pouquinho errado ela castiga a gente. O caso do Mestre Pastinha foi inveja demais. Mestre Pastinha nunca jogou descalço. Antes da viagem dele para a África, ele foi fazer uma exibição num ginásio, na Bahia. Teve uma pessoa que falou para todo mundo jogar descalço, que capoeirista não nasceu calçado. Até esse dia, Mestre Pastinha nunca tinha jogado descalço numa roda de capoeira. Então, Mestre Pastinha tirou o sapato e foi jogar. Enquanto ele estava jogando, colocaram macumba no sapato dele. Mas a pessoa que fez isso também já morreu. O capoeirista sempre tem que pedir muita proteção. Quando o capoeira agacha ao pé do berimbau tem que se benzer, pedir proteção a Deus, pois ele vai para uma roda de capoeira sem saber a intenção de seu oponente. O capoeirista tem que descobrir nos olhos do seu oponente a intenção que ele vai tomar daquele momento em diante. Hoje em dia o capoeirista vai namorar e depois vai para a roda de capoeira; não pode, ele está como o corpo aberto, o capoeirista tem que estar de corpo e espírito limpo para transmitir uma energia positiva na roda de capoeira e em sua vida.
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO





terça-feira, 21 de janeiro de 2014

MAE MENININHA


Maria Escolástica da Conceição 
MÃE MENININHA
(Salvador, Bahia, 10 de fevereiro de 1894 - 13 de agosto de 1986) , conhecida como Mãe Menininha do Gantois, foi uma Iyálorixá (mãe-de-santo) brasileira, filha de Oxum.
Nasceu em 1894, no dia de Santa Escolástica, na Rua da Assembléia, entre a Rua do Tira Chapéu e a Rua da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador, tendo como pais Joaquim e Maria da Glória. Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria.
Foi apelidada Menininha, talvez por seu aspecto franzino. “Não sei quem pôs em mim o nome de Menininha… Minha infância não tem muito o que contar… Agora, dançava o candomblé com todos desde os seis anos”.
Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê - em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe pequena). Menininha seria sua sucessora na função de Iyalorixá do Gantois. Com a morte repentina de Mãe Pulchéria, em 1918, o processo de sucessão foi acelerado. Por um curto período, enquanto a jovem se preparava para assumir o cargo, sua mãe biológica, Maria da Glória Nazareth, permaneceu à frente do Gantois.
Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras. Sucessora de sua mãe, Maria da Glória Nazareth, foi sucedida por sua filha, Mãe Cleusa Millet. "Minha avó, minha tia e os chefes da casa diziam que eu tinha que servir. Eu não podia dizer que não, mas tinha um medo horroroso da missão (...): passar a vida inteira ouvindo relatos de aflições e ter que ficar calada, guardar tudo para mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento." 
O terreiro, que inicialmente funcionava na Barroquinha, na zona central de Salvador, foi posteriormente, transferido para o bairro da Federação onde hoje é o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, na Avenida Vasco da Gama, do qual Maria Júlia da Conceição Nazaré sua avó também fazia parte. Com o falecimento da iyalorixá da Casa Branca Iyá Nassô, sucedeu Iyá Marcelina da Silva Oba Tossi. Após a morte desta, Maria Júlia da Conceição e Maria Júlia Figueiredo, disputaram a chefia do candomblé, cabendo à Maria Júlia Figueiredo que era a substituta legal (Iyakekerê) tomar a posse como Mãe do Terreiro. Maria Júlia da Conceição afastou-se com as demais discidentes e fundaram outra Ilé Axé, o (Terreiro do Gantois), instalando-se em terreno arrendado aos Gantois - família de traficantes de escravos e proprietários de terras de origem belga - pelo cônjuge de Maria Júlia, o negro alforriado Francisco Nazareth de Eta.3 Situado num lugar alto e cercado por um bosque, o local de difícil acesso era bem conveniente numa época em que o candomblé era perseguido pelas forças da ordem. Geralmente, os rituais terminavam subitamente com a chegada da polícia.
Em 1922, através do jogo de búzios, os orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluaiyê confirmaram a escolha de Menininha, então com 28 anos. Em 18 de fevereiro daquele ano, ela assume definitivamente o terreiro. "Quando os orixás me escolheram eu não recusei, mas balancei muito para aceitar", contava.
A partir da década de 1930, a perseguição ao candomblé vai arrefecendo, mas uma Lei de Jogos e Costumes, condicionava a realização de rituais à autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22 horas. Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término das restrições e proibições. "Isso é uma tradição ancestral, doutor", ponderava a iyalorixá diante do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes. "Venha dar uma olhadinha o senhor também."
Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos - uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento. Mas afinal, a Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970. "Como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas", analisa o professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia.
Nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas tradicionais do candomblé.
Aos 29 anos, Menininha casou-se com o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, descendente de escoceses. Com ele teve duas filhas, Cleusa e Carmem. “Meu marido, quando me conheceu, sabia que eu era do candomblé… A gente viveu em paz porque ele passou a gostar de Candomblé. Mas, quando fui feita Iyalorixá, passamos a morar separados. No meu terreiro, eu e minhas filhas. Marido não. Elas nasceram aqui mesmo”. 
Em uma entrevista à revista IstoÉ, mãe Carmem conta que ela adorava assistir telenovelas, sendo que uma de suas preferidas teria sido Selva de Pedra.7 Era colecionadora de peças de porcelana, louça e de cristais, que guardava muito zelo. Não bebia Coca-Cola, pois certa vez lhe disseram que a bebida servia para desentupir os ralos de pias, e ela temia que a ingestão da bebida fizesse efeito análogo em si.
Mãe Menininha do Gantois faleceu em Salvador em 1986 de causas naturais, aos 92 anos de idade.
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

sábado, 7 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA "MANUSCRITO"

                             



 





NELSON MANDELA
ESTÓRIAS E SEUS MANUSCRITO
Durante a década de 1950 e início de 1960, Nelson Mandela era frequentemente enviado a celas de delegacias de polícia, celas judiciais e celas de penitenciárias por curtos períodos de tempo, pois seu trabalho político fez dele um alvo para o regime do apartheid. Após ser banido do Congresso Nacional Africano em 1960, ele passou à clandestinidade em 1961 e tornou-se líder do Umkhonto we Sizwe (MK), o braço armado do Congresso. Em 1962, ele foi capturado e condenado a cinco anos de prisão por deixar o país ilegalmente e incitar uma greve. Em 1963, ele foi julgado com outros líderes do MK no Julgamento de Rivonia, sendo por fim condenado à prisão perpétua por sabotagem. Mandela foi finalmente libertado da prisão em 1990, após mais de 27 anos de prisão ininterrupta. Dezoito desses anos foram passados na Ilha Robben.
“... Tirávamos nossa força e nosso sustento de saber que éramos parte de uma humanidade maior do que os nossos carcereiros poderiam reivindicar.”
Não há entrada para o levante de 16 de junho de 1976 em Soweto. Nelson Mandela e seus companheiros só souberam disso muito mais tarde, quando novos prisioneiros políticos chegaram à Ilha Robben. Nos primeiros anos na ilha, Mandela e seus colegas prisioneiros não podiam ler jornais e ouvir rádio. Nelson Mandela registra a visita da mídia à Ilha Robben em 1977. O regime do apartheid organizou a visita de jornalistas para dissipar rumores sobre as condições adversas na Ilha. Em seus primeiros anos de prisão, Nelson Mandela e seus companheiros foram proibidos de ter relógios. Inicialmente, ele fez um calendário na parede de sua cela. Mais tarde, ele recebeu autorização para pedir um calendário de mesa por ano para a Secretaria de Turismo sul-africana. Ele manteve uma série de calendários de mesa na penitenciária da Ilha Robben, onde esteve preso de 13 de junho de 1964 a 31 de março de 1982, na penitenciária Pollsmoor, onde ficou até 12 de agosto de 1988 e na penitenciária Victor Verster, de sua transferência até sua libertação em 11 de fevereiro de 1990.Ele continuou registrando informações nesses calendários enquanto esteve no hospital, em 1988 – primeiro no Tygerberg Hospital e depois em Constantiaberg MediClinic – em tratamento contra a tuberculose. Esses calendários de mesa eram calendários de turismo sul-africanos com fotografias de paisagens e as palavras “Land of Golden Sunshine“ (terra da luz do sol dourada).Juntamente com seus cadernos, os calendários de mesa são os registros mais diretos de seus pensamentos particulares e suas experiências diárias. Ele não fazia anotações todos os dias. Na verdade, havia algumas semanas em que não fazia anotação alguma. As necessidades básicas do mundo exterior eram consideradas, na verdade, luxos preciosos na prisão. Ter leite para o chá, por exemplo, era considerado um acontecimento. Assim também era com as visitas e as cartas. E a simples palavra ”inspeção" trazia uma grande ameaça. Esta inscrição aparece na primeira página do pequeno diário preto de 1990: “Querido Nelson, com nosso amor e votos de felicidade. Radhi e 'JN' para lembrar o primeiro encontro de janeiro de 1990 depois de muitos, muitos anos!!!”. Além de um registro em 1º de janeiro sobre a visita de Singh na penitenciária Victor Verster, ele registrou uma outra entrada. Em 13 de janeiro, fez sua última entrada no diário: encheu uma página com uma viva descrição sobre um grupo de patos que entrara na casa em que viveu por pouco mais de um ano.pesada censura sobre a correspondência na prisão significava que, se um prisioneiro quisesse comunicar algo de natureza sensível a qualquer pessoa de fora da prisão, ele precisaria contrabandear a correspondência para fora. Em mais de uma ocasião, Mandela e seu companheiro, Ahmed Kathrada, contrabandearam cartas, especialmente para seus advogados, para reclamar sobre as condições na prisão. Por exemplo, em janeiro de 1977, Mandela escreveu, em letra minúscula, uma longa carta para os advogados em Durban instruindo-os a tomar medidas contra as autoridades prisionais por uma lista de casos de abuso de autoridade. A carta foi dirigida a uma firma de advocacia chamada Seedat Pillay and Co. Em outubro de 2010, um dos advogados dessa firma, que se tornou juiz da Alta Corte da África do Sul, o juiz Thumba Pillay, doou ao Centro da Memória Nelson Mandela essa carta, bem como uma série de documentos relacionados.
“A prisão é por si só uma tremenda educação na necessidade de paciência e perseverança. Trata-se, acima de tudo, de um teste de compromisso...”
Após a condenação de Nelson Mandela em 7 de novembro de 1962, o Tribunal de Magistrados de Pretória emitiu um mandado condenando-o à prisão por cinco anos.Ele havia sido condenado e sentenciado naquele dia a três anos por uma acusação de “incitação a transgressão de leis” (greve) e dois anos por deixar a África do Sul sem passaporte. Foi estipulado que as duas sentenças seriam executadas consecutivamente. Um segundo mandado de detenção foi emitido pela divisão provincial de Transvaal do Supremo Tribunal da África do Sul em 12 de junho de 1964. No mesmo dia o juiz proferiu uma sentença de prisão perpétua para Mandela e seus colegas, que foram condenados por quatro acusações de sabotagem no Julgamento de Rivonia. As duas primeiras acusações foram por violação da Seção 21(1) da General Laws Amendment Act (Lei de sabotagem) n º 76, de 1962. A terceira foi por violação da Seção 11(a), junto com as Seções 1 e 12 da Lei n º 44 de 1950; e a quarta foi por violação da Seção 3(1) (6), junto com a Seção 2 da Lei n º 8 de 1953 (conforme alterado).Os dois mandados emoldurados foram apresentados ao Sr. Mandela em 11 de fevereiro de 1995 – no quinto aniversário de sua libertação da prisão – pelo então Ministro dos Serviços Correcionais, Sipho Mzimela, em nome do departamento. Nelson Mandela não hesita em dizer que conseguiu o que conseguiu como parte de uma “cooperativa”, e que seus companheiros do Congresso Nacional Africano e, em especial, aqueles que estavam na prisão, faziam parte dessa cooperativa. Sempre que possível, Mandela exalta seus companheiros, bem como os de outros quadrantes políticos que sofreram com ele na prisão. Neste extrato, na continuação de sua autobiografia, ele lembra de seus companheiros de prisão. Lembra de que não disse a eles que estava iniciando um diálogo com o regime do apartheid até já estar em negociação. Mas foi por uma razão muito boa. Ele também explica que a negociação não era nada de novo. Enquanto Nelson Mandela e seus companheiros estavam presos na Ilha Robben, na África do Sul, os esforços na campanha para sua libertação só aumentaram. Uma vez que os prisioneiros foram privados de jornais na maior parte do tempo na prisão, os ativistas não esperavam que eles soubessem sobre seus esforços para divulgar a situação. Neste trecho do manuscrito autobiográfico inédito escrito na penitenciária, fica claro que Mandela não só sabia desses esforços, mas tirava sua força deles, apesar da censura rigorosa de cartas e visitas. Escrever sobre a questão deu a ele a oportunidade de expressar seu otimismo em relação a sua futura liberdade e sucesso da luta contra o apartheid.
“... nenhuma parede da prisão, nenhum cão de guarda nem mesmo os mares frios, que são como um fosso mortal em volta da prisão da Ilha Robben, nada conseguiria frustrar os desejos de toda a humanidade...”
Em uma carta à filha Zenani pelo seu 12º aniversário, em 1971, Nelson Mandela lembrou de seu nascimento depois que a esposa havia sido presa por 15 dias. Como na maioria das cartas a seus filhos, Mandela tenta ser um pai a longa distância.Winnie Mandela estava grávida de sua filha mais velha quando foi presa por participar de um protesto contra as leis de passe. “Você entende que quase nasceu na prisão?”, escreve ele. A carta lhe revela como ela tinha apenas 25 meses de idade quando ele passou à clandestinidade e ambos não puderam mais viver juntos novamente.Ele descreve uma visita secreta de Zenani na época da clandestinidade: “Eu a peguei em meus braços e por cerca de 10 minutos nos abraçamos, nos beijamos e conversamos. De repente você parecia ter se lembrado de algo. Você me deixou de lado e começou a vasculhar o quarto. Em um canto, encontrou o resto de minhas roupas. Depois de juntá-las, você as deu a mim e pediu-me para ir para casa. Você segurou minha mão por algum tempo, puxando desesperadamente e me implorando para voltar.”Talvez, o momento mais angustiante para Nelson Mandela na prisão tenha sido quando sua esposa Winnie foi detida e presa por mais de 17 meses. De maio de 1969 a setembro de 1970, ela foi tirada de suas vidas e não havia nada que ele pudesse fazer para ajudá-la ou ajudar seus filhos deixados para trás. À época, suas filhas Zeni e Zindzi tinham nove e 10 anos, respectivamente, e ele escreveu para elas da Ilha Robben a fim de confortá-las. Ele sabia que possivelmente a carta jamais as alcançaria. Felizmente, Mandela guardou uma cópia em um dos cadernos que usava para escrever as cartas que enviava. Esses cadernos foram confiscados por guardas da prisão quando ele ainda estava na Ilha Robben, mas foram devolvidos mais de 15 anos depois de sua libertação por um ex-policial, Donald Card, que os manteve em sua casa durante anos. Na década de 1970, enquanto cumpriam pena de prisão perpétua em Robben Island, dois colegas de Nelson Mandela tiveram a ideia de que ele deveria secretamente escrever sua autobiografia para ser publicada em seu aniversário de 60 anos, em 1978.Ele começou a redigir e enviou rascunhos para Walter Sisulu e Ahmed Kathrada comentarem. Após cada rascunho ter sido corrigido e aprovado, Mac Maharaj e Laloo Chiba transcreviam-no com uma caligrafia minúscula. Ao final, 600 páginas tornaram-se aproximadamente 60, que foram transportadas dentro de um arquivo de estudo de Mac Maharaj, quando ele foi solto, em 1976.Na ocasião, o manuscrito não foi publicado em 1978, como esperado, mas Mandela o utilizou como a base para sua autobiografia de 1994, “Longa Caminhada Até a Liberdade”.Apenas algumas páginas do manuscrito original sobreviveram, estando alojadas no Arquivo Nacional sul-africano, em Pretória. O Nelson Mandela Centre of Memory tem as versões digitadas por Sue Rabkin.
“Criamos uma linha de montagem para processar o manuscrito...”
Um ano após sua libertação, em 1990, Mandela começou a trabalhar com o jornalista americano Richard Stengel no que é agora o livro Longo Caminho para a Liberdade (1994). O trabalho se baseou no manuscrito da prisão e em uma série de entrevistas. No livro, Mandela declara:
“Criamos uma linha de montagem para processar o manuscrito. Todos os dias eu passava o que havia escrito a Kathy, que revisava e lia para Walter. Kathy, então, escrevia seus comentários nas margens. Walter e Kathy nunca hesitaram em criticar-me, e eu ouvia suas sugestões, muitas vezes incorporando suas alterações. Esse manuscrito marcado foi então dado a Laloo Chiba, que passou a noite seguinte transferindo o que eu havia escrito para sua taquigrafia quase microscópica, reduzindo 10 páginas a um pedaço pequeno de papel. Seria trabalho do Mac contrabandear o manuscrito para o mundo lá fora.” Depois de Mandela fazer as correções, as páginas eram dadas a companheiros de prisão, Isu “Laloo” Chiba e Mac Maharaj, para serem transcritas em letra minúscula. O manuscrito foi então dividido em recipientes de cacau e enterrado no jardim da seção B, na Ilha Robben, utilizando ferramentas de escavação feitas por Jeff Masemola. Sua posterior descoberta por agentes penitenciários durante a construção de um muro, fez com que Mandela, Sisulu e Kathrada, cuja letra estava no original, perdessem seus privilégios de estudo durante quatro anos. Quando Nelson Mandela completou 70 anos, e ainda estava preso, a campanha para sua libertação tinha atingido praticamente todos os cantos do mundo.Foram usadas todas as mídias para forçar, coagir e incentivar toda e qualquer pessoa para ajudar a libertá-lo. De estudantes e frequentadores de concertos a políticos e banqueiros, a maioria das pessoas foi tocada pelo “Movimento Libertem Mandela”. Um dos esforços foi uma série de 10 cartazes do artista Mickey Patel, doados para o escritório do Congresso Nacional Africano exilado na Índia. Mais 100 desses cartazes foram feitos por serigrafia.Vinte e três anos mais tarde, os cartazes foram para o Centro de Memória Nelson Mandela. Eles foram doados por um ativista anti-apartheid, Mosie Moolla, que escapou da custódia da polícia, em 1963, e fugiu para a Índia, onde se tornou representante-chefe do CNA no país. Muitas pessoas não sabem que Nelson Mandela foi condenado à prisão na Ilha Robben duas vezes. A primeira vez foi por um breve período, em 1963, cerca de seis meses depois de ter sido condenado a cinco anos de prisão por deixar o país ilegalmente e incitar uma greve. Inicialmente detido na prisão local de Pretória, Mandela foi enviado à Ilha Robben em maio 1963 e, depois, em 13 de junho de 1963, foi inexplicavelmente devolvido a Pretória. Depois de estar lá há cerca de um mês, seus colegas foram presos e julgados em conjunto por sabotagem no Julgamento de Rivonia. Mandela e outros sete foram condenados à prisão perpétua em 12 de junho de 1964. Ele permaneceu na Ilha Robben até o final de março de 1982, sendo depois transferido para a prisão de Pollsmoor, no continente. Então, depois de alguns meses em hospitais, Mandela foi enviado para a prisão Victor Verster em dezembro de 1988, de onde foi libertado em 11 de fevereiro de 1990.Essa história sobre a primeira prisão de Nelson Mandela em Robben Island demonstra fortemente sua determinação de ferro e seu inegável senso de dignidade que o ajudaram a sobreviver a 27 anos na prisão. Ele mostra, por um lado, que, desde o primeiro dia, os carcereiros estavam determinados a tratar os prisioneiros como gado, enquanto tentavam agressivamente controlá-los. Não deveria ser assim. Mandela imediatamente se encarregou de mostrar como é possível mudar a situação até mesmo nas piores circunstâncias. Foi essa dignidade e força demonstradas por Mandela, e depois seus colegas, que marcou sua prisão e atitudes subsequentes. Uma das maiores conquistas de Nelson Mandela foi o fato de ser um advogado qualificado. Em 1953, ele estabeleceu a primeira parceria jurídica negra da África do Sul, em Johannesburgo, com seu amigo e companheiro Oliver Tambo. Durante seu longo encarceramento, Mandela usou seu conhecimento jurídico para fazer justiça, colocando a lei em prática. Sua resposta à brutalidade e à intimidação, bem como ao assédio e aos abusos foi recorrer à lei, seja em seu nome ou para ajudar outros presos: Mandela ameaçava tomar medidas legais ou instaurar uma ação judicial. Como a história mostra, isso se tornou uma proteção essencial. Teria sido fácil para Nelson Mandela permitir que o mundo acreditasse que ele foi agredido fisicamente na prisão. Pelo contrário, Mandela afirmou publicamente que nada aconteceu a ele. Teria acontecido a outros, mas não a ele. Também teria sido fácil colocar todos os guardas prisionais no mesmo saco, dizer que eram totalmente brutais. Aqui, ele pinta um quadro diferente, conta que nem todos eram “malandros” e faz questão de mostrar os seres humanos e o lado mais humano de alguns de seus carcereiros.
 BY NELSON MANDELA  CENTRE OF MEMORY.

                      “EU SOU O CAPITÃO DA MINHA ALMA”
                                                                                        NELSON MANDELA

POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A GUARDA NEGRA


   A  GUARDA  NEGRA 


A "Guarda Negra", era  uma sociedade secreta criada sob a inspiração de José do Patrocínio, logo após a abolição, com o intuito de defender a Princesa Isabel "redentora dos escravos". A "Guarda Negra" identificava-se com a causa monárquica e, mais especificamente com o Gabinete Conservador (que estava no poder em 1888). O auge de sua atuação parece ter sido entre meados de 1888 e os primeiros meses de 1889. Atuava acobertada pelas autoridades policiais, como uma verdadeira força paramilitar, era composta essencialmente por negros, agora livres, dentre os quais muitos  capoeiras, conforme nos informa Osvaldo Orico, biógrafo de José do Patrocínio: "(..) agindo sob os complacentes olhos da polícia, a Guarda Negra (...) incluía em seu corpo os melhores capoeiras locais (do Rio de Janeiro)"(TROCHIM,1988:p. 291).
Era principalmente nos comícios republicanos que a presença da "Guarda Negra" se fazia sentir. O ataque mais espetacular da organização parece ter sido  o que ocorreu no dia 30 de dezembro de 1888, quando os propagandistas republicanos, Silva Jardim s Lopes Travão discursavam no Ginásio da Sociedade Francesa de Ginastas, na cidade do Rio de Janeiro. Os organizadores do ato, frente as ameaças recebidas por parte da "Guarda Negra", recorreram ao chefe da polícia, que alegou não ter condições de garantir a segurança da manifestação. Do Lado de fora do ginásio, perto de 500 negros estavam reunidos. De repente, ouviram-se tiros dentro do ginásio e a multidão forçou a entrada. A confusão reinou durante meia hora sem a interferência da polícia, a qual, afinal decidiu acalmar os ânimos. Várias pessoas ficaram feridas, muitas vitimadas por capoeiras. Na saída do comício ocorreram novos distúrbios quando um republicano inflamado agitou no ar a bandeira francesa, sendo imediatamente atacado por membros da "Guarda Negra".
POSTADO MESTRE BICHEIRO

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MANDUCA DA PRAIA CONTRA FLORIANO DE ABREU


MANDUCA DA PRAIA CONTRA FLORIANO DE ABREU

Plácido de Abreu, ou Pompeo Steel, como gostava de ser conhecido, era um misto de capoeira, militante republicano e literato. Várias vezes tentou entrar no seleto mundo da academia literária, sem sucesso. A sua outra obra, Nagôas e Guayamús, continuam desaparecidas. Apesar de republicano da primeira hora, desencantou-se quando o marechal Floriano Peixoto rasgou a Constituição de 1891. Aderiu à revolta da armada e foi assassinado em Fevereiro de 189456. Em Dezembro de 1861 o próprio Floriano, ainda cadete da Academia.Militar, enfrentara o lendário Manduca da Praia e a sua malta e, segundo conta a tradição, batera-se com os navalhistas, usando golpes de habilidoso capoeira. Esta história retrata quanto a capoeira seria parte integrante das memórias de juventude para a geração que dominou a República na viragem do século:Era uma noite quente e alguns colegas de Floriano saíram do Largo de São Francisco, onde era a Escola Militar, e dirigiram-se ao Largo da Carioca. Ali foram barrados pelos capoeiras sob a chefia de Manduca da Praia, chefe de malta de Santa Luzia. Tiveram de bater em retirada. Acabrunhados e tristes, reuniram-se no Largo. Aproximou-se deles o cadete Floriano, na sua farda da Escola Militar. Conversando com os colegas, soube do acontecido.
— Só isso senhores? Esperem um pouco que eu já venho.Regressou vestindo um casaco velho e comprido. Na cabeça, um grande chapéu de abas largas. E uma bengala, que serviria de porrete. Apontou na direção do Largo da Carioca:
—«”Podem vir rapazes!”..»O grupo seguiu até à Rua da Vala (atual Uruguaiana), onde estacaram: ali estava Manduca da Praia e os seus companheiros.
Floriano continuou em linha reta até chegar junto de Manduca. Frente a frente como lendário chefe de malta, disse:
— Com sua licença, meu senhor, nós vamos passar para o Largo da Carioca.
— Aqui ninguém passa — retrucou o capoeira, sorrindo, à espera do combate.
Imperturbável, Floriano aplicou uma rasteira em Manduca, enquanto gritava aos seus colegas:
— Podem passar, rapazes. Encorajados, os jovens saltaram sobre a malta e, enquanto o seu chefe permanecia fora de combate, deram um surra nos navalhistas. Pouco depois, amarrotados, e em alegre algazarra, chegavam ao Largo da Carioca. Entre os amigos do jovem Floriano que naquela noite deram cabo da malta de Santa Luzia estava Juca Paranhos, futuro barão do Rio Branco.
                         POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

HARRIET TUBMAN


HARRIET TUBMAN

Negros dos EE.UU. para a liberdade!
"Serás livre ou morrerás".Armada de revólver e da sua atávica coragem, Harriet chegou a carregar mais de 300 pessoas para os estados americanos em que a escravidão já estava abolida. Era uma dessas desgraçadas noites de senzala no ano de 1819. Uma negra escrava, entre dores, dava à luz a uma menina. Seus dedos magros a acolheram e apertaram. Mais uma para sofrer. Mas, naquela madrugada, no pequeno condado de Dorchester, no estado de Maryland, Estados Unidos, a menina que arejava os pulmões com gritos fortes não carregaria o peso da dor. Ela seria uma libertária, uma dessas loucas, nojentas, que nada dobra e, anos depois, se tornaria uma das mais importantes “condutoras” de negros para a liberdade.O nome dado pela mãe foi Aramita Ross. Mas muito pouco conviveu com quem lhe deu à luz. Ainda garotinha foi levada para a plantação e ficou sob os cuidados da avó. Com seis anos de idade já estava no trabalho de uma casa branca. Apanhava muito. Uma vez levou uma surra só porque comeu um cubo de açúcar. Ela ruminava a dor e sentia que a vida lhe pesava. Quando completou 11 anos, passou a usar uma bandana na cabeça, indicando que saíra da meninice. Foi aí que mudou de nome. Virou Harriet e já tinha nos olhos o ar da rebeldia. Não foi à toa que quando viu um capataz pedindo ajuda para segurar um negro fujão, se recusou a fazê-lo. Por isso levou um golpe na cabeça e sofreu a vida toda as consequências.Harriet cresceu ali, na plantação, a matutar. Nunca passou dos 1,50m. Era pequena, de olhos penetrantes e cheia de ideias de liberdade. Não ia morrer escrava. Quando tinha 25 anos casou-se com um negro livre, John Tubman, e vivia a pensar em planos de escape. Coisa que não achava eco junto ao marido. Ele não compartilhava das loucas ideias que ela sussurrava nas noites de inverno. Mas ela queria ir para o norte, fugir, ser livre também. Aguentou cinco anos e, numa destas noites, escapou no rumo da Filadélfia.Sua fuga foi digna de filme. Ajudada por uma família branca, foi colocada dentro de um saco, num vagão, até estar segura nas casas dos abolicionistas que revezam na rota de fuga. Chegou inteira e logo começou a trabalhar. Do dinheiro que ganhava, guardava uma parte que usava para libertar outros negros. Mas, para Harriet, dar dinheiro não bastava. Aquela alma atormentada precisava agir, e ela decidiu liderar as tropas de negros e brancos que marchavam para as fazendas e libertavam os negros. Fez muitas dessas incursões. Em uma delas, no comando, chegou a libertar 750 negros de uma só vez. Tudo isso já bastaria para tornar Harriet uma lenda, mas ela ainda iria mais longe. Como não era mais um jovenzinha, decidiu abandonar o comando das tropas e passou a atuar como “condutora”, no que ficou conhecida como a “estrada de ferro subterrânea”.Esta estrada de ferro não era uma estrada de verdade, mas o nome dado à rota de fuga de milhares de negros em todos os Estados Unidos. Uma rede muito bem urdida de estradas, rotas e casas, as quais os negros percorriam e se abrigavam durante a grande travessia para a liberdade. Essas rotas eram pronunciadas junto aos negros sempre com os jargões da estrada de ferro, para que nenhuma suspeita fosse levantada e, justamente por isso, foram chamadas assim.Nesse processo de fuga, a figura do “condutor” era, sem dúvida, a mais importante. E Harriet se fez um deles. Foi a mais famosa e a mais eficiente. Armada de revólver e da sua atávica coragem, ela chegou a carregar mais de 300 pessoas para os estados em que a escravidão já estava abolida. Nunca perdeu qualquer passageiro. Ficou conhecida também a frase que dizia aos seus conduzidos quando empreendiam a caminhada rumo ao norte: “Serás livre ou morrerás”. E foi com essa bravura que também carregou para a liberdade seus irmãos de sangue e seus pais, esta última uma viagem espetacular. Não foi à toa que ficou conhecida como “o Moisés” de seu povo.Harriet era mestra na arte da fuga e do disfarce. Graças a isso entrava e saia do sul escravista a qualquer hora. Em 1857 sua cabeça valia o prêmio de 40 mil dólares. Nunca foi pega. Durante a guerra civil estadunidense ela, já entrada nos anos, ainda serviu como enfermeira e espiã das forças federais. Seu nome é reverenciado até hoje por todos os negros e negras daquele país como uma mulher que não aceitou a sua condição e, generosa e solidária, deu sua vida para garantir a liberdade dos negros. Morreu velhinha, em 1913, considerada uma heroína nacional. Mesmo assim, foi só em 2003 que o estado instituiu o dia 10 de março (dia de sua morte) como o dia de Harriet Tubman, a Moisés do povo negro estadunidense, a condutora, aquela que nunca abriu mão da liberdade.
 “Há duas coisas que tenho direito: a liberdade ou a morte. Se não tiver uma, tenho a outra. Nenhum homem neste mundo vai me tomar a vida”.
E assim foi.
Hoje, contam os negros, quando apita um trem lá para os lados do sul, todo aquele que sofre alguma prisão, seja física ou espiritual, sente um arrepio. É Harriet, a condutora, chamando para a grande travessia. E sempre há quem se levante e encontre o caminho.

Elaine Tavares é jornalista.

 POSTADO POR MESTRE BICHEIRO