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domingo, 5 de outubro de 2014

Peleja de Riachão com o Diabo


Peleja de Riachão com o Diabo
Autor: Leandro Gomes de Barros
Riachão estava cantando 
Na cidade de Açu, 
Quando apareceu um negro 
Da espécie de urubu, 
Tinha a camisa de sola 
E as calças de couro cru.

Beiços grossos e virados 

Como a sola de um chinelo 
Um olho muito encarnado 
O outro muito amarelo, 
Este chamou Riachão 
Para cantar um martelo.

Riachão disse: eu não canto 

Com negro desconhecido, 
Porque pode ser escravo, 
E anda por aqui fugido 
Isso é dar cauda a nambu 
E entrada a negro enxerido.

Negro - Eu sou livre como o vento 

A minha linhagem é nobre, 
Eu sou um dos mais ilustres 
Que o sol deste mundo cobre 
Nasci dentro da grandeza 
Não saí de raça pobre.

Riachão - Você nega porque quer 

Está conhecido demais, 
Você anda aqui fugido 
Me diga que tempo faz 
Se você não foi cativo, 
Obras desmentem sinais.

N - Seja livre ou seja escravo 

Eu quero é cantar martelo, 
Afine a sua viola 
Vamos bater-se em duelo 
Só com a minha presença 
O senhor está amarelo.

R - Vejo um vulto tão pequeno 

Que nem o posso enxergar, 
Julgo que nem é preciso 
Minha viola afinar 
Pela ramagem da árvore 
Vê-se o fruto que ela dá.

N - Riachão isto são frases 

De homem muito atrasado, 
Porque são vistos fenômenos 
Que na terra têm se dado 
Uma cobra tão pequena 
Mata um boi agigantado.

R - M eu riacho pela seca 

Dá cheias descomunais 
Na correnteza das águas 
Descem grandes animais 
Jibóias, surucujubas, 
E monstruosos "Jaguais"

N - O Jaguar rende-m e culto 

A serpente aos meus pés morre 
No que chegar minha ira 
Só um poder o socorre 
Eu digo ao rio, pare aí! 
A água pára e não corre...

R - Você não é Josué 

Que mandou o sol parar 
E esse parou três dias 
Para a guerra se acabar 
Nem Moisés que com a vara 
Fez o mar também secar.

N - Faço tudo que eu quiser 

Minha força não tem limite 
Os feitos por mim obrados 
Não vejo homem que imite 
Eu determino uma coisa 
Não há força que a evite!

R - Salomão também fazia 

O que queria fazer 
Por meio de mágica ou química 
Quis segunda vez nascer 
M as em vez do nascimento 
Conseguiu ele morrer.

N - Salomão facilitou 

Confiado na ciência 
Encaminhou tudo bem 
M as faltou-lhe a paciência 
Se não fosse aquele erro 
Tinha tido outra existência.

R - Eu necessito saber 

onde é seu natural 
Porque não sei se o senhor 
Tem nascimento legal 
De qual nação é que vem 
Se procede bem ou mal.

N - Você vem interrogar-me 

Eu lhe interrogo também, 
Diga para onde vai 
E de qual parte é que vem 
Se é solteiro, ou casado 
Diga que profissão tem?

R Não tenho superior 

Sou filho da liberdade 
E não conto a minha vida 
Pois não há necessidade 
Porque não sou foragido 
Nem você é autoridade!

N - É preciso advertir-lhe, 

Fazer-,lhe observação 
M e trate com muito jeito, 
Cante com mais atenção! 
Veja que não se descuide 
E passe o pé pela mão!

R - Eu, para cantar repente, 

Já estou muito habilitado: 
Conheço algumas matérias, 
Sou um pouco adiantado 
Tive estudo quatro anos, 
Me considero letrado!

N - Sou professor de matérias 

Que sábio não as conhece; 
A lei que dito no mundo, 
O próprio rei obedece 
Meus feitos são conhecidos, 
A fama se estende e cresce.

R - Você diz que tem ciência, 

Dê-m e um a explicação: 
Se a Terra faz movimento 
De quem é a rotação? 
Porque.é que em 12 horas 
Há um a transformação?

N - Não é o Sol quem se move, 

Este é fixo em seu lugar, 
A Terra está sobre os eixos, 
Os eixos a fazem rodar, 
Que, por essa rotação 
Faz a luz do Sol faltar.

R - Descreva o grande mistério 

Que entre nós a Terra tem: 
De que é formada a chuva? 
Em que estado ela vem? 
Se é criada aqui perto 
Ou noutro lugar além?

N - A água em estado líquido 

Por meio de abaixamento 
Que há na temperatura, 
E pelo resfriamento 
Essa água é condensada, 
Ajudada pelo vento.

A corrente atmosférica 

De um a montanha elevada, 
Que ajuda a temperatura, 
Forma nuvem condensada. 
Do vento movendo as nuvens 
É disso a chuva formada,

Que essa chuva, depois 

Que toda a Terra ensopar, 
Por meio da evaporação 
Torna ao espaço voltar, 
Reproduzindo, o processo 
Que acabei de lhe tratar.

R - O senhor conhece bem 

Este país brasileiro? 
Ora, respondeu o Negro: 
N - Eu conheço o estrangeiro
Desde o córrego mais pequeno 
Até o maior ribeiro!

Por exemplo, o Amazonas, 

Que extrema com o Pará; 
O Pará com o Maranhão, 
Piauí com o Ceará, 
E assim todos os outros 
Se alguém duvida, vá lá!

E se qualquer um daqui;

Pretendendo viajar
Até o Rio de Janeiro 
E não querendo ir por mar, 
Eu lhe ensino o caminho 
Ele vai sem se vexar.

R - Como faz essa viagem? 

Onde se encontra o caminho? 
Lugar de uma só morada, 
Sem haver mais um vizinho 
Tanto que, em muitos lugares 
Não anda um homem sozinho!

N - Pode qualquer um sair 

Do Açu ao Mossoró; 
Querendo pode passar 
Na cidade Caicó, 
Subir pela margem esquerda 
Do rio de Seridó

Riachão disse consigo: 

- Esse negro é um danado! 
Esse saiu do Inferno, 
Pelo Demônio mandado, 
E para enganar-me veio 
Em um negro transformado!

Disse o negro: - Meu amigo, 

não queira desconfiar, 
Garanto que o senhor 
Não ouviu bem eu cantar, 
Na altura que eu canto 
outro não pode chegar!

R - Vá na altura em quer for! 

Riachão lhe respondeu. 
Remexa todos os livros 
Que o senhor aprendeu 
Eu não conheço esse ente 
Que cante m ais do que eu!

N - Você ficará sabendo 

O peso de um cantador 
Quando me ver outra vez 
Me trate de professor, 
Render-me-á obediência, 
Conhecerá meu valor!

R - O senhor diga o seu nome, 

Eu quero lhe conhecer, 
Pois só assim posso dar-lhe 
O valor que merecer,
Em tudo que você diz 
A inda não posso crer.

N - Você, sabendo quem sou 

Talvez que fique assombrado, 
Superior a você 
Comigo tem se espantado 
Os grandes da sua Terra 
Eu tenho subjugado!

R - Eu canto há dezoito anos, 

Há vinte toco viola, 
Sempre encontro cantador 
Que só tem fama e parola 
Quando canta meio dia, 
Cai nos meus pés, no chão rola.

N - Eu já canto há muitos anos, 

Não vou em toda função, 
Arranco pontas de touro, 
Quebro o furor do leão, 
Nunca achei esse duro 
Que para mim tenha ação.

R - Garanto que de hoje em diante, 

O senhor tem que encontrar 
A força superior 
Que o obrigue a se calar, 
Porque eu boto o cerco, 
Quem vai não pode voltar!

N - Manoel, tu és criança, 

Só tens mesmo é pabulagem! 
Vejo que falar é fôlego, 
Porém obrar é coragem 
Juro que' de agora em diante 
Não contarás mais vantagem!

R - Meu pai chamava-se Antônio, 

Seu apelido era Rio; 
De uma enxurrada que dava 
Cobria todo o baixio 
Secava em tempo de inverno 
Enchia em tempo de estio.

N - Conheci muito seu pai, 

Que vivia de pescar,
Sua mãe era tão pobre, 
Que vivia de um tear 
Seu padrinho tomou você 
E levou-o para criar.

R - Onde mora o senhor, 

Que meu avô conheceu? 
Que eu nem me lembro mais 
Do tempo que ele morreu 
E você está parecendo 
Muito mais moço que eu!

N - Eu sei do dia e da hora 

Que nasceu seu bisavô,
Chamava-se Ana Mendes 
A parteira que o pegou 
E conheci muito o frade 
E o vi quando o batizou.

R - Bote sua maca abaixo 

Conte essa história direito,
Da forma que você conta 
Eu não fico satisfeito 
Como ver-se um objeto 
Antes daquilo ser feito?

N - Seu bisavô se chamava

Apolinário Cancão
Era filho de um ferreiro 
Que o chamavam Gavião
Sua bisavó Lourença 
Filha de Amaro Assunção.

R - Mas que idade tem você, 

Que me faz admirar? 
Conheceu meu bisavô 
Eu não posso acreditar, 
Assim destas condições 
Faz até desconfiar.

N - Seu bisavô e o avô 

Foram por mim conhecidos, 
Seu pai, sua mãe, você 
Antes de serem nascidos 
Já estavam em minha nota 
Para serem protegidos.

R - Que proteção tem você 

Para proteger alguém? 
Sua pessoa e os trajes 
Mostram o que você tem 
A sua cor e aspecto 
Esclarecem muito bem.

N - Eu protejo você tanto, 

Que o defendi de morrer 
Você se lembra da onça 
que um a vez quis lhe comer 
Que apareceu um cachorro 
E fez a onça correr?

R - Me lembro perfeitamente 

Quando a onça m e emboscou 
Já ia marcando o salto 
Quando um cachorro chegou 
A onça correu com medo, 
Eu não sei quem me salvou..
.
N - Pois foi este seu criado 
Que viu a onça emboscá-lo 
Eu chamei por meu cachorro 
Para da onça livrá-lo 
Se lembra quando você 
Ouviu o canto dum galo?

R - Eu me lembro disso tudo 

Porque assim foi passado; 
Mas que idade tinha eu 
Quando esse caso foi dado? 
Eu era tão pequenino 
Que m eu pai teve cuidado.

N - Você tinha nove anos 

Foi caçar um novilhote 
Se entreteu com umas flores 
Que tinha lá no serrote 
A onça foi esperá-lo 
Para sangrá-lo no bote.

Riachão disse consigo: 

- De onde veio esse ente, 
Que de toda minha vida 
Conhece perfeitamente? 
Este, será que é o Diabo 
Que está figurado em gente?

N - O senhor pergunta assim 

De que parte venho eu... 
Eu venho de onde não vai 
Pensamento como o seu 
E saí do ideal 
Primeiro que apareceu!

R - Agora acabei de crer 

Que tu és o inimigo! 
Te transformaste em homem, 
Para vir cantar comigo, 
Mas eu acredito em Deus 
Não posso correr perigo!

N - Ainda não, lhe ameacei, 

Nem pretendo ameaçá-lo! 
Estou pronto a defendê-lo, 
Se alguém quiser atacá-lo 
Em minha humilde pessoa, 
Tem um pequeno vassalo!

R - Não quero saber de ti, 

Porque tu és traidor: 
Desobedeceste a Deus, 
Sendo Ele o Criador! 
Fizeste traição a Ele 
Quanto mais a um pecador...

N - Riachão, amas a Deus 

Sendo mal recompensado! 
Deus fez de Paulo um Monarca 
De Pedro um simples soldado 
Fez um com tanta saúde, 
Outro cego e aleijado!

R - Se Deus fez de Paulo um rei, 

Porque Paulo merecia 
Se fez de Pedro um soldado, 
Era o que a Pedro cabia: 
Se não fosse necessário, 
O grande Deus não fazia!

N - O teu vizinho e parente 

Enricou sem trabalhar; 
Teu pai trabalhava tanto 
E nunca pode enricar 
Não se deitava uma noite 
Que deixasse de rezar!

R - M eu pai morreu na pobreza, 

Foi fiel ao seu Senhor! 
Executou toda ordem 
Que lhe deu o Criador 
E foi um a das ovelhas 
Que deu mais gosto ao pastor!

N - Arre lá! Lhe disse o Negro. 

Você é caso sem jeito!
Eu com tanta paciência, 
Estou lhe ensinando direito 
Você vê que está errado, 
Faz que não vê o defeito!

R - É muito feliz o homem 

Que com tudo se consola! 
posso morrer na pobreza, 
Me achar pedindo esmola 
Deus me dá para passar 
Ciência e esta viola!

O negro olhou Riachão 

Com os olhos de cão danado,
Riachão gritou: - Jésus,
Homem Deus Sacramentado! 
Valha-me a Virgem Maria, 
A Mãe do Verbo Encarnado!

o negro, soltando um grito, 

Dali desapareceu. 
De uma catinga de enxofre 
A casa toda se encheu, 
Os cães uivaram na rua,
O chão da casa tremeu.

Riachão ficou cismado 

Com cantor desconhecido, 
Que, quando encontrava um, 
Tomava logo sentido 
O seu primeiro repente 
Era a Deus oferecido.

Essa história que escrevi 

Não foi por mim inventada: 
Um velho daquela época 
Tem ainda decorada. 
Minha aqui só são as rimas 
Exceto elas, mais nada!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

CAPOEIRA




A própria palavra já denuncia seu nascimento no campo entre grandes movimentos de plantação de cana de açúcar.
As clareiras abertas na mata serviram de canal para a fuga dos negros em busca de liberdade e melhor condição de vida nos quilombos. 
Mas há quem diga que a capoeira é própria da cidade, onde aquela brincadeira quase inocente das fazendas teria evoluído para a arte marcial. "Sem dúvida, ela nasceu no meio rural com a luta pela liberdade porem a malicia (mandinga capoeiristica) é urbana", afirma o pesquisador baiano Waldeloir Rego, autor de um clássico sobre o assunto, ensaio sócio-etnográfico à respeito do jogo de angola.
Só não podemos afirmar se a capoeira teve inicio em Salvador ou no Rio de Janeiro ou, provavelmente, se fez ao mesmo tempo nas duas cidades, e ainda em Recife. 

Escravos negros


Os escravos negros começaram a ser desembarcado no Brasil por volta de 1548 e, nos três séculos seguintes, seriam predominantes do tronco lingüístico banto, do qual faz parte a língua Quimbundo.
Esse grupo englobava angolas, benguelas, Moçambique, canbindas e congos:"Eram povos de pequenos reinos e com um razoável domínio de técnicas agrícolas e cuja grande característica era possuir uma visão muito plástica e imaginosa da vida, com grande capacidade de adaptação cultural", (explica o antropólogo Oderp Serra).
No Brasil, esses grupos étnicos, antes rivais, se uniram pela escravidão formando uma cultura africana no Brasil a qual plantou bases e tradições muito fortes na cultura brasileira, na dança, música e técnicas de movimentos do corpo "Não existe na historiografia recente do Brasil, nenhum dado que possa afirmar que a capoeira é proveniente da África".
Com certeza ela foi desenvolvida por escravos no Brasil, portanto, a capoeira é legítima e genuinamente brasileira, não podemos afirmar com certeza, se a capoeira teve seu inicio no passado em Salvador, Rio de Janeiro ou Recife, provavelmente, se fez ao mesmo tempo nestas cidades, sabe-se que a capoeira realmente surgiu como "instrumentos de libertação contra um sistema dominante predominante opressor".
O homem negro na condição de escravo era tratado como peça desse sistema dominante, os meninos negros como moleques e as mulheres escravas com filhos como fêmeas com suas crias. Os registros que determinam datas para seu surgimento utilizam datas que variam entre 1578 e 1632.
Dessa forma, o surgimento da capoeira se funde com a história da resistência dos negros no Brasil. Eis porque as maiorias dos autores que escrevem sobre a questão associam o aparecimento da capoeira ao surgimento dos primeiros quilombos; alguns chegam a se referir especificamente ao Quilombo de Palmares (que foi o que reuniu um número maior de pessoas, cerca de 25 a 50 mil, e foi destruído em 1694) como sendo o berço da capoeira.
No século passado, as principais cidades portuárias brasileiras, como Salvador, Recife e Rio de Janeiro, eram uns aglomerados de gente.
Era comum a figura do escravo de ganho, aquele que tinha permissão de vender ou prestar serviços na rua e em troca dar uma porcentagem do dinheiro que obtivesse ao seu senhor. Sem outra coisa a oferecer senão a força física para carregar móveis, mercadorias e dejetos, muitos fazia ponto perto do porto. Não demorou para que esses grupos se organizassem sob a chefia de algum valente chamado de "capitão" que era exímio em capoeira.
      Segundo o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, que examinou o registro de prisões de escravos do século XIX, os anos entre a chegada da família real, em 1808, e a abdicação do primeiro imperador, em 1831, foram marcados pelo "terror da capoeira" no Rio de Janeiro. A Bahia não ficava atrás. Salvador era um barril de pólvora, os negros fizeram mais de trinta revoluções nesse período.
Antigos capoeiras figuram em fatos memoráveis. Mais também, diversos atos oficiais procuram acabar com as desordens das lutas de capoeira. Uma portaria de 16 de março de 1826 do intendente geral de polícia do Rio de Janeiro mandou que fossem presos e imediatamente punidos com 100 açoites os escravos encontrados jogando a capoeira.
Capoeiras baianos lutaram pela nossa independência, na boa terra de todos os santos.
No Rio de Janeiro em junho de 1828, capoeiras prestaram grande ajuda para dominar os batalhões de mercenários alemães e irlandeses que, revoltados, colocaram a população em pânico.
A câmara municipal de São Paulo, atendendo a uma representação do presidente da província, Coronel de Milícias Rafael Tobias de Aguiar, aprovou, em 24 de Janeiro de 1833, uma postura mandando que qualquer pessoa que praticasse a capoeira em lugar público, sendo livre seria presa por três dias e pagaria multa de um a três mil réis, sendo cativa seria presa por vinte e quatro horas com a pena de 25 a 50 açoites.
O quadro de Johan Moritz Rugendas intitulado "jogar capoeira ou danse de la guerre", de 1835, é considerado o primeiro registro preciso sobre a capoeira. Neste quadro dois negros se situam em posição de luta enquanto um outro, sentado, toca um atabaque que segura com as pernas. Outros negros, homens e mulheres, assistem à luta (ou jogo) que se realiza.
Em 10 de julho de 1843 faleceu no Rio o Marechal Miguel Nunes Vidigal, capoeira exímio e que apareceu, como o Major Vidigal, no livro "memórias de um sargento de milícias", um dos clássicos da nossa literatura.
Ao longo do século dezenove a capoeira torna-se uma nítida expressão da situação vivida pelo negro no Brasil.
As mudanças ocorridas na economia e na política do império vinham gerando um intenso processo de desescravização. Lembremo-nos de que a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, já havia proibido o tráfico negreiro para o Brasil. A lógica do sistema econômico mundial e brasileiro impunha a substituição do negro pelo trabalhador imigrante e isso gerava uma inevitável situação de marginalidade. A capoeira floresceu dessa forma, e são inúmeros os relatos de jornais do século passado que narram as aventuras dos capoeiras (esse nome, até meados deste século, era utilizado para designar o lutador; a luta era denominada capoeiragem).

Naquela época, a capoeira reunia não só ex-escravos e seus filhos, mas também figuras importantes da sociedade. Aos poucos a capoeira foi se envolvendo com a vida política e chegou a ser amplamente utilizada como arma na luta entre as facções que se enfrentavam nos tempos do império e nos primórdios da república, sobretudo nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Paulo. Os capoeiras eram contratados para interferir em comícios, tumultuar eleições e fazer a segurança de figurões da política.
Em 1864 na Bahia, grupos de capoeiras foram desorganizados por causa da convocação para a guerra do Paraguai, que tiveram uma participação ativa lutando contra os mercenários (soldados estrangeiros contratados para guerra), que se rebelaram e foram rechaçados pelos capoeiras. E após a abolição de 1888, como sabemos, o fim do regime escravocrata não significou a aceitação imediata da comunidade negra na vida social.
Ao contrário, vários aspectos da cultura afro-brasileira sofreram violenta repressão, como a capoeira no Rio de Janeiro em todo o Brasil e principalmente no nordeste. Talvez o caso da capoeira seja o mais evidente: essa forma de rebeldia, que já havia sido utilizada como arma de luta em inúmeras fugas durante a escravidão, tornou-se um símbolo da resistência do negro à dominação. Assim, o Governo Republicano, instaurado em 1889, deu continuidade a essa política e associou diretamente a capoeira à criminalidade, como consta do decreto 847 de 11 de outubro de 1890, com o título "Dos Vadios e Capoeiras":
ARTIGO 402 - Fazer nas ruas ou praças públicas exercícios de destreza corporal conhecidos pela denominação de capoeiragem: pena de dois a seis meses de reclusão.
PARÁGRAFO ÚNICO - É considerada circunstancia agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta.
Aos chefes, ou cabeças, impor-se-á a pena em dobro. Na capital paulista, março de 1892, alguns "morcegos" (praças de uma polícia fardada da época ) maltrataram soldados do exército recentemente recrutados.
Doendo-se pelos companheiros, soldados capoeiras promoveram violentos distúrbios na cidade. Por ocasião da revolta da armada, setembro de 1893, lutaram entre si grupos de praças capoeiras do exército e da marinha. Em 1907, surge a primeira tentativa de instituição de uma "ginástica brasileira" com o título "O Guia da Capoeira" cujo autor, um oficial do exército que julgou prudente não revelar o nome pelos preconceitos então existentes - ocultou-se sob as iniciais O.D.C. Em 1908 toda capoeiragem vibrou com a vitória do "Moleque Círiaco" sobre o Conde Koma, oficial superior da marinha de guerra do Japão e campeão de jiu-jitsu considerado invencível. Ciriaco, com um violentíssimo rabo-de-arraia na cabeça do campeão nipônico, lançou-o por cima de duas fileiras de cadeiras, desacordando e com forte hemorragia nasal. Anos mais tarde, um marinheiro do encouraçado São Paulo, ancorado no porto de Nova York, envolveu-se em briga de rua e derrubou, um por um, oito vigorosos policias conseguindo fugir para bordo do seu navio, onde declarou não ter necessitado fazer uso da sardinha ( navalha ) para o golpe decisivo do corta-jaca ( navalha na barriga ).
A luta brasileira, portanto, começou a ser tratada como esporte nacional e surgiram os primeiros estudos sobre sua utilização como método de defesa pessoal e ginástica. Em 1928, Annibal Burlamaqui pública "Gymnastica Nacional" (Capoeiragem ) Methodizada e Regrada, e em 1945, Inezil Pena Marinho, especialista em educação Física, pública "Subsídio para o Estudo da Metodologia do Treinamento da Capoeiragem".

Verdadeira capoeira



Bimba e Pastinha são consideradas os maiores nomes da história da capoeira em todo mundo. 
É importante ressaltar que a Regional gerou uma grande polêmica no ambiente da capoeira, uma vez que muitos entenderam as inovações de Mestre Bimba como sendo uma descaracterização das tradições da luta. Iniciou-se, nos anos 30, um debate que dura até hoje sobre o que é a "verdadeira capoeira" e que modificações podem ser introduzidas sem desrespeitar os princípios e tradições da luta. 
Com Mestre Bimba a capoeira começa a ganhar espaço institucional na sociedade. 
O mestre teve apoio dos estudantes universitários de Salvador que contribuíram para a sistematização de suas idéias e para a formulação de seu método de ensino. 
Bimba fundou a primeira academia de capoeira em 1932 ( Centro de Cultura Física e Luta Regional da Bahia ), ensinou capoeira em quartéis e chegou apresentar uma roda de capoeira para o presidente Getúlio Vargas, em 1953.
Na história dos esforços pelo reconhecimento
Na história dos esforços pelo reconhecimento da Capoeira como esporte ou luta nacional de origem étnico brasileira, há um verdadeiro calendário.
Em 1907, apareceu um trabalho, cujo autor se ocultou sob as iniciais O.D.C. (Ofereço, Dedico e Consagro), intitulado O Guia da Capoeira ou Ginástica Brasileira.
Em 1928, Annibal Burlamaqui assina Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada.
Em 1932, fundação do Centro de Cultura Física e Capoeira Regional, do Mestre Bimba.
Em 1937, registro oficial do Centro de Cultura Física e Capoeira Regional.
Em 1942, foi feito um inquérito pela Divisão de Educação Física do Ministério da Marinha, consultando sobre os melhores elementos para a instalação de um método de ensino da Capoeira.
Em 1945, Inezil Penna Marinho lança o livro Subsídios Para o Estudo da Metodologia do Treinamento da Capoeiragem.
Em 1960, Lamartine Pereira da Costa, então oficial da Marinha, diplomado em Educação Física pela E.E.F.E e instrutor chefe dos cursos da Escola de Educação Física da Marinha, CEM-RJ, lança um livro que se tornou clássico: Capoeiragem - A Arte da Defesa Pessoal Brasileira.
Em 1968, Waldeloir Rego lança o livro Capoeira Angola - Ensaio Sócio-Etnográfico, considerado um dos mais completos sobre Capoeira.

HISTÓRICO

A capoeira surgiu entre os escravos como um grito de liberdade. 
Os negros da África, a maioria da região de Angola, foram trazidos para o Brasil para trabalhar nas lavouras de cana de açúcar como mão de obra escrava. 
Segundo Menezes (1976), a vida dos negros trazidos da África de maneira forçada, brutal, consistia em trabalhar de sol a sol para os senhores portugueses que exploravam as riquezas brasileiras desde o descobrimento. 
Chegando a nova terra, (os escravos) eram repartidos entre os senhores, marcados a ferro em brasa como gado e empilhados na sua nova moradia: as prisões infectadas das senzalas. Os colonizadores agrupavam os africanos de diferentes tribos, com hábitos, costumes e até línguas diferentes, eliminando, assim, o risco de rebeliões. 
Os negros chegavam ao Brasil, depois de passarem dias empilhados em navios negreiros, trazendo como única bagagem suas tradições culturais e religiosas. 
O negro trouxe consigo suas danças e lutas guerreiras que de muita valia veio a se tornar para os escravos fugitivos.
Na África, mais precisamente na região de Angola, os negros lutavam com cabeçadas e pontapés nas chamadas "luta das zebras", disputando as meninas das suas tribos com a finalidade de torná-las suas esposas. 
Na ausência de armas, os negros buscaram nas danças guerreiras sua forma de defesa. Da necessidade de preservação da vida, surgiu a capoeira.
Tendo como mestra a mãe natureza, notando brigas dos animais as marradas, coices, saltos e botes, utilizando-se das manifestações culturais trazidas da África (como, por exemplo, brincadeiras, competições etc. que lá praticavam em momentos cerimoniais e ritualísticos), aproveitando-se dos vãos livres que aqui se abriam no interior das matas e capoeiras, os negros criam e praticam uma luta de auto defesa para enfrentar o inimigo.
Com o passar dos tempos, os nossos colonizadores perceberam o poder fatal da capoeira, proibindo esta e rotulando-a de "arte negra", Santos (1998).
Em 1888 foi abolida a escravatura e com isso muitos escravos foram lançados nas cidades sem emprego e a capoeira foi um dos meios utilizados para a sobrevivência. Alguns ex-escravos passaram a ganhar a vida fazendo pequenas apresentações em praça pública, porém muitos deles utilizaram a capoeira para roubar e saquear. 
Os marginais brancos também aprenderam a nova luta com o convívio mais direto com os negros e introduziram na sua prática as armas brancas. 
Formaram-se verdadeiros bandos de marginais aterrorizando a população. 
Já em 1890 a capoeira foi colocada fora da lei pelo Código Penal da República, que dizia:
Art. 402 - Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, promovendo tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal: Pena: De prisão celular de dois meses a seis meses. (Barbieri, 1993, p.118).
Segundo Sodré (1983), as punições aplicadas eram reclusão na ilha Fernando de Noronha e castigos corporais, tais como chibatadas. 
Segundo Areias (1983), os seus chefes foram encarcerados ou exterminados, mas a capoeiragem continuou fazendo o seu trajeto. 
A capoeira se espalhou pelo Brasil, porém foi nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco onde se encontravam os maiores comentários entre o povo e a imprensa local. Apesar de reprimida a capoeira continuou a ser praticada e ensinada para as gerações seguintes. 
Em 1929 ocorreu a quebra da Bolsa de Nova Iorque com a conseqüente crise do capitalismo, o Brasil viveu um momento de ebulição das forças sociais. 
Com a entrada de Getúlio Vargas no governo do país, medidas foram tomadas para angariar a simpatia popular, entre elas a liberação de uma série de manifestações populares. Para tal, Getúlio Vargas convidou Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, para uma apresentação no Palácio do Governo. Temendo a popularização da arte - luta, Getúlio Vargas permitiu a abertura da primeira academia de capoeira, que teria um cunho folclórico. Após essa passagem, a capoeira perdeu suas características de luta marginal e vadiagem, visto que para freqüentar a academia de mestre Bimba os indivíduos eram obrigados a ter carteira de trabalho assinada.
Grande parte do que se sabe hoje sobre a capoeira praticada pelos escravos foi transmitido pelas gerações de forma oral, visto que "... a documentação referente à época da escravatura foi queimada por Rui Barbosa, Ministro da Fazenda no governo de Deodoro da Fonseca" (Sete 1997).
Enfim, a capoeira ganhou a popularidade estimada por Bimba, e até os dias de hoje vem reunindo adéptos pelo país. 

O significado de capoeira
Capoeiras eram áreas semidesmatadas onde os escravos treinavam seus golpes, e provavelmente veio daí o nome da luta. Seus golpes quase acrobáticos e com aspecto de dança muito contribuíram para enganar os senhores de engenho, que permitiam a prática, julgando-a como uma brincadeira dos escravos. Segundo Areias (1983), a dança, por sua vez, representada pela ginga, servia para disfarçar a luta dando-lhe um caráter lúdico e inofensivo. A capoeira serviu por muitos anos como instrumento de luta dos escravos.O berimbau e outros instrumentos
As rodas de capoeira são ritmadas pelo toque de instrumentos e pelas palmas dos capoeiristas. 
O berimbau, que servia para dar rítmo ao jogo, também servia para anunciar a chegada de um feitor, ou seja, a hora de transformar a luta em dança. 
O jogo da Capoeira é acompanhado por instrumentos musicais, comandados pela figura máxima do berimbau, o qual dá o tom e comanda o ritmo para a execução das cantigas:
Cantos Corridos ou Ladainhas.

Podemos encontrar em uma roda de capoeira, além do berimbau, pandeiro e atabaque e, menos comumente, o agogô e o ganzá. Atualmente não se concebe uma roda de capoeira sem o toque característico do berimbau, podendo, no entanto, os demais instrumentos serem dispensados, afirma Menezes (197 p.14-5). 
O berimbau dita o ritmo do jogo, é ele que comanda o toque a ser executado.
A capoeira apresenta diversos toques que são executados de acordo com a ocasião. Dentre eles é destacado:

Angola
É o toque de abertura, lento, onde o mestre da roda, aquele que toca o berimbau, inicia uma ladainha - saudação e os capoeiristas ficam esperando, ao pé do berimbau, a indicação para entrar na roda; o jogo de Angola é lento e rasteiro, servindo para os capoeiras mostrarem flexibilidade e malícia.
São Bento Pequeno
É o toque usado em demonstrações, onde os golpes são executados a poucos centímetros do alvo.

São Bento Grande
É o toque para jogo violento, onde se procura atingir o outro capoeirista, que deve estar muito atento e ter muita agilidade para não ser atingido. Amazonas: toque usado na chegada de um mestre visitante; é o hino da Capoeira.
Cavalaria
Esse toque antes fazia parte da comunicação entre o capoeira que estava de vigia e os que estavam jogando, indicando a chegada da polícia.
Iuna
É o toque que procura imitar o canto dessa ave; é usado para o jogo entre mestres de capoeira, ou então, no enterro de um deles.
Santa Maria
Toque fatalista, para jogo com navalha na mão ou no pé.
Benguela
É o mais lento toque de capoeira regional, usado para acalmar os ânimos dos jogadores quando o combate aperta.
Idalina
Toque para jogo de faca.

Barravento
Toque para jogo rápido, que exige grande velocidade de reação.
Cantos
Durante a roda são entoadas cantigas que, segundo Areias (1983), se dividem em dois tipos: cantos corridos e ladainhas. 
A diferença entre o canto corrido e a ladainha está no fato de, na ladainha, sempre contar-se uma história, geralmente sem a resposta ou interferência do coro, que participa apenas no momento que o cantador acaba a história e entre no canto de entrada dizendo "iê vamos simbora/ iê é hora é hora" e assim por diante, até chegar na expressão "dá volta ao mundo". Já no canto corrido, o cantador não tem a preocupação de contar nenhuma história, as frases são ditas aleatoriamente, falando de assuntos diversos, e a participação do coro é imediata e necessária desde o seu início. 
Durante a roda, os capoeiristas, que ficam de pé formando a roda, acompanham a cantoria com palmas. A única exceção são as rodas de Angola, onde os capoeiristas ficam sentados e não batem palmas, só começando a cantar quando acaba a ladainha.
Várias concepções da capoeira
A capoeira pode e deve ser ensinada globalmente, deixando que o educando busque a sua identificação em quaisquer dessas enumerações que veremos a seguir. 
Caberá ao docente um papel relevante orientando e estimulando para que o discente possa aproveitar ao máximo toda a sua potencialidade.
a capoeira pode ser praticada vivida das seguintes maneiras:
  


 Capoeira Luta

Representa a sua origem e sobrevivência através dos tempos, na sua forma mais natural, como instrumento de defesa pessoal, genuinamente brasileiro. 
Deverá ser ministrada com o objetivo de combate e defesa.
Capoeira Dança e Arte
A Arte se faz presente através da música, ritmo, canto, instrumento, expressão corporal e criatividade de movimentos. 
É também um riquíssimo tema para as artes plásticas, literárias e cênicas. 
Na Dança, as aulas deverão ser dirigidas no sentido de aproveitar os movimentos da capoeira, desenvolvendo flexibilidade, agilidade, destreza, equilíbrio e coordenação motora, indo em busca da coreografia a da satisfação pessoal.
Capoeira Folclore
É uma expressão popular que faz parte da cultura brasileira, e que deve ser preservada, promovendo a participação dos alunos, tanto na parte prática, como na teórica.
Capoeira Esporte
Como modalidade desportiva, institucionalizada em 1972, pelo conselho nacional de desportos, ela mesma deverá ter um enfoque especial para competição, estabelecendo-se treinamentos físicos, técnicos e táticos.
Capoeira Educação
Apresenta-se como um elemento importantíssimo para a formação integral do aluno, desenvolvendo o físico, o caráter, a personalidade e influenciando nas mudanças de comportamento. Proporciona ainda um auto conhecimento e uma análise crítica das suas potencialidades e limites.
Capoeira Lazer
Funciona como prática não formal, através das "rodas" espontâneas, realizadas nas praças, colégios, universidades, festas de largo e etc, onde há uma troca cultural entre os participantes.
Capoeira Filosofia
Entre muitos fundamentos, trás uma filosofia de vida que prega o respeito ao próximo e aos mais velhos, estes que por sua vez possuem um grau maior de sabedoria. Muitos são os adéptos que se engajam de corpo e alma criando dessa forma uma filosofia de vida, tendo a capoeira como símbolo e até mesmo usando-a para a sua sobrevivência.
Capoeira Terapia
O esporte exerce um papel fundamental no desenvolvimento somático e funcional de todo indivíduo. Para o portador de deficiência, respeitando-se as suas limitações e capacidades, o esporte tem importância inquestionável. A capoeira vem tendo destaque muito grande, não só como esporte, mas, no caso dos portadores de deficiência, ela atua, verdadeiramente, como terapia. Considerando sempre as etapas mentais, cronológicas e motoras do indivíduo, propicia um desenvolvimento orgânico mais satisfatório, melhora o tônus muscular, permite maior agilidade, flexibilidade e ampliação dos movimentos. Auxilia o ajuste postural, bem como o esquema corporal, a coordenação dinâmica e, ainda, desenvolve a agilidade e força. Vale ressaltar que a capoeira proporciona a liberação de sentimentos como a agressividade e o medo, levando o ser humano a adquirir uma condição física mais satisfatória e um comportamento mais socializado.

A Capoeira hoje

Capoeira nas Academias a capoeira, antes treinada livremente pelos escravos, é agora treinada dentro das academias. 
A passagem dos campos de mata aberta para as salas das academias não foi a única modificação sofrida pela arte. 
Com a entrada da capoeira nas academias, algumas modificações ocorreram na capoeira dos escravos do engenho. 
Além de lugar fixo para o treinamento, foram implantados também horários para tal. Foi padronizado um uniforme que consiste em calça branca (representando as calças de saco que os negros usavam para a lida) e um cordel que deve ser amarrada no lado direito cintura da calça. 
Alguns grupos que praticam a capoeira Angola utilizam-se de calça preta.
Os capoeiras, ou capoeiristas, agora se dividem em grupos que carregam um nome que normalmente representa a escravidão. 
Comumente, os capoeiristas representam o grupo, ao qual participam, com o símbolo gravado na calça. Esses grupos ou associações tem por objetivo expandir a arte da capoeira pelo país, alguns chegando até a levar a nossa arte para o exterior. 
A maioria dos grupos de capoeira convivem pacificamente, apesar de cada um interpretar a capoeira de uma maneira diferente (alguns trabalham a capoeira numa visão mais folclórica, outros a entendem mais como luta, uns dão maior ênfase a parte esportiva, outros valorizam principalmente a educação pela capoeira). 
Como prova do convívio de amizade entre os grupos, são realizados periodicamente encontros, que se reúnem com a finalidade de compartilhar conhecimentos.
Graduação e o Batizado
Nos tempos modernos, os capoeiras são graduados de acordo com os seus conhecimentos e com o tempo de prática na capoeira. 
Cada graduação é representada por uma cor no cordel, que é amarrado na calça do capoeirista do lado direito. 
Cada grupo designa um conjunto de cores que irá representar as graduações. 
Os indivíduos entram para as aulas de capoeira, em seguida, começam um treinamento. Nesse período inicial eles são chamados de "pagãos", ou seja, eles não foram ainda batizados. 
O batizado de capoeira representa o momento em que os indivíduos recebem a sua primeira graduação pelo grupo. 
Nesse dia eles deixam de ser pagãos, pois durante esse evento é costume entre os grupos dar um apelido ao capoeirista. 
O apelido é uma tradição desde os tempos que a capoeira era considerada uma arte marginal e os capoeiristas eram obrigados a usar codinomes para não serem identificados, mediante isto, serem presos pela polícia. 
O dia do batizado é um dia de grande importância para os capoeiristas, posto que, nesse dia realiza-se uma festa em que os novos capoeiras são apresentados à comunidade capoeiristica, joga com outras pessoas e desfrutam da oportunidade de até conhecerem os mestres mais antigos.
  
 Capoeira x Violência

O jogo de capoeira não possui mais características violentas, perdeu seu objetivo principal do tempo da escravidão, que era a luta pela liberdade. Numa roda de capoeira um jogador não tem como finalidade acertar, ferir, lesionar ou matar o outro jogador. O jogo de capoeira não passa de uma representação, simbolismo esportivo. Na realidade eles, os capoeiristas, são companheiros que querem brincar de capoeira, recrear. Eventualmente acontecem quedas, que são interpretadas como descuido por parte de quem caiu. Importante ressaltar que o jogo, só atribui este valor recreativo dentro das academias, ou seja, em seus próprios grupos. Em se tratando de rodas informais, jogos que acontecem em parques, ruas, praias, a capoeira às vezes, perde o seu atributo de lazer e encarna o seu valor de capoeira - Luta.
Rodas
Os capoeiristas se cumprimentam todas as vezes que entram ou saem de uma roda como sinal de respeito pelo companheiro. 
Fazem uma reverência também ao berimbau, pedindo e agradecendo proteção aos céus. 
Acontece também um outro tipo de encontro de capoeiristas chamado "roda de rua". Essas manifestações ocorrem livremente em praças, ruas e praias.
As rodas de rua são gerenciadas por qualquer capoeirista, independendo da graduação que ele carrega, e são abertas para qualquer um que queira participar. 
Normalmente essas rodas são pacíficas, mas como elas são abertas para o público, alguns capoeiristas acabam querendo resolver suas rixas com outros capoeiristas nessas rodas, a fim de demonstrar superioridade sobre qualquer aspecto.
Para iniciar o jogo da capoeira, os capoeiristas dirigem-se para onde estão os instrumentistas e agacham-se ao pé do berimbau "afirma Areias (1983 p.96). 
Durante a roda, que é comandada por instrumentos como o berimbau, o pandeiro e o atabaque, são entoadas cantigas que tem seu refrão repetido por todos os participantes da roda. Quem define as músicas e dita a velocidade do jogo é o tocador de berimbau. O ritmo começa lento e termina rápido, onde só os capoeiristas mais graduados devem jogar".
Depois da roda, alguns capoeiristas optam por fazer exercícios de força, como abdominais, flexões de braço ou elevação em barra fixa. Outros treinam saltos acrobáticos, ou treinam golpes atingindo sacos de areia.

A aula
As aulas de capoeira são realizadas em salões abertos que podem ser espelhados ou não, o que facilita aos capoeiristas a observação de sua performance. As aulas são normalmente ministradas por capoeiristas de graduações elevadas, superiores, a maioria deles sem nenhuma formação acadêmica em Educação Física. "Existem vários métodos de ensino, e cada professor, cada academia, cada grupo alardeia que o seu é genuinamente original, é o melhor" (Capoeira, 1992, p.147). 
Freqüentemente os capoeiristas acabam ministrando aulas exatamente iguais aos que seus mestres ministram. Na verdade, de uma forma ou de outra, todos se baseiam na "seqüência" e na "cintura desprezada" criadas por mestre Bimba, adicionados aos treinos sistemáticos e repetitivos entre duplas introduzidas pelo Grupo Senzala na década de 1960. Mesmo os que praticam e ensinam a capoeira angola, que originalmente não tinha métodos de ensino, utiliza variações adaptadas desses elementos didáticos.. Geralmente encontra-se nas academias um programa de treinamento de duas ou três aulas semanais, chegando a ser encontrada nas academias sede de alguns grupos, treinamentos de segunda a sábado.
A duração da aula varia entre quarenta e cinco minutos a uma hora e meia. As aulas são divididas em quatro blocos: aquecimento; treino de golpes, quedas e movimentações individualmente; treinamento de seqüências em dupla; roda de capoeira. 
O aquecimento freqüentemente começa com uma corrida, seguida de seqüências de movimentos calistênicos e um alongamento. "Se alguém quiser aproveitar para malhar uma abdominal, uma abertura, um alongamento ou exercícios de elasticidade, tudo bem, mas não é esse o objetivo" (Capoeira, 1992, p.146). 
Depois do aquecimento, o segundo bloco da aula corresponde ao treinamento dos golpes individualmente. 
As aulas começam com os movimentos mais simples, passando para os mais complexos e, posteriormente, para a combinação dos movimentos sequenciados. Esses movimentos compreendem os golpes, as esquivas e as quedas.
O professor indica e executa o golpe ou a seqüência de golpes e os alunos os executam repetidas vezes e para ambos os lados. Durante a execução dos movimentos os alunos são observados e corrigidos pelo professor. 
Nos salões com espelhos os alunos podem observar a execução dos seus movimentos. 
O terceiro bloco da aula corresponde ao treinamento das seqüências em dupla.. 
Nesta parte da aula os capoeiristas se encontram sujeitos a receberem os golpes dos companheiros, porém o risco é menor do que durante o jogo.
O treino em dupla se dá em forma de seqüências coordenadas. 
O professor dita exatamente o que deve ser feito e os alunos executam. Para os iniciantes, o professor apresenta uma seqüência de um golpe e uma esquiva; um dos capoeiristas executa um golpe enquanto o outro esquiva. 
Com o tempo de prática essa seqüência aumenta em número e variações de golpes, associados a floreios e saltos. 
O jogo da capoeira é o momento que o capoeirista apresenta o que ele aprendeu durante a prática. Além de executar os golpes num jogo com um companheiro, entra em jogo um elemento novo, a surpresa. 
Não se sabe o que o outro capoeira vai fazer, os golpes já não são mais ditados pelo professor, por isso o capoeirista deve estar preparado e atento no jogo do outro para não ser atingido ".
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO

terça-feira, 13 de maio de 2014

Princesa Isabel! Assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888?


Princesa Isabel! Assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888?

A História da Abolição da Escravatura, a Lei Áurea, Movimento Abolicionista, 13 de maio, libertação dos escravos, História do Brasil, abolição dos escravos, escravidão no Brasil, os abolicionistas, escravos no Brasil,  Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários, abolição da escravidão no Brasil
Introdução
Na época em que os portugueses começaram a colonização do Brasil, não existia mão-de-obra para a realização de trabalhos manuais. Diante disso, eles procuraram usar o trabalho dos índios nas lavouras; entretanto, esta escravidão não pôde ser levada adiante, pois os religiosos se colocaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Assim, os portugueses passaram a fazer o mesmo que os demais europeus daquela época. Eles foram à busca de negros na África para submetê-los ao trabalho escravo em sua colônia. Deu-se, assim, a entrada dos escravos no Brasil.
Processo de abolição da escravatura no Brasil
Os negros, trazidos do continente Africano, eram transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Devido as péssimas condições deste meio de transporte, muitos deles morriam durante a viagem. Após o desembarque eles eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e desumana. 
Apesar desta prática ser considerada “normal” do ponto de vista da maioria, havia aqueles que eram contra este tipo de abuso. Estes eram os abolicionistas (grupo formado por literatos, religiosos, políticos e pessoas do povo); contudo, esta prática permaneceu por quase 300 anos. O principal fator que manteve a escravidão por um longo período foi o econômico. A economia do país contava somente com o trabalho escravo para realizar as tarefas da roça e outras tão pesados quanto estas. As providências para a libertação dos escravos deveriam ser tomadas lentamente.
A partir de 1870, a região Sul do Brasil passou a empregar assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros; no Norte, as usinas substituíram os primitivos engenhos, fato que permitiu a utilização de um número menor de escravos. Já nas principais cidades, era grande o desejo do surgimento de indústrias. Visando não causar prejuízo aos proprietários, o governo, pressionado pela Inglaterra, foi alcançando seus objetivos aos poucos. O primeiro passo foi dado em 1850, com a extinção do tráfico negreiro. Vinte anos mais tarde, foi declarada a Lei do Ventre-Livre (de 28 de setembro de 1871). Esta lei tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua promulgação.
Em 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários que beneficiava os negros de mais de 65 anos. Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no O dia 13 de maio de 1888 marcou oficialmente o fim da escravidão no Brasil, através de uma lei assinada pela Princesa Isabel, durante uma viagem de Dom Pedro II ao exterior. Naquela oportunidade houve uma série de comemorações, principalmente no Rio de Janeiro, capital do Império. Vários ex-escravos saíram às ruas comemorando o feito. É verdade que em várias regiões do país o trabalho escravo persistiu e só foi abolido no início do século XX. Ainda nos dias de hoje, volta e meia a imprensa nos dá informações sobre a existência do trabalho escravo em várias regiões do país.O movimento negro, então, resolveu abolir essa data e comemorar a negritude no dia 20 de novembro, denominado Dia da Consciência Negra. Razão mais que justa, pois, de fato, o 13 de maio foi uma data que ocorreu de “cima para baixo”, sem a participação dos principais interessados no tema, apesar de haver no Brasil um movimento abolicionista bem forte naquele período, principalmente nas cidades mais importantes do sudeste do país. O Dia da Consciência Negra não existe por acaso. Em 20 de novembro de 1695, Zumbi, principal liderança do Quilombo dos Palmares – a maior comunidade formada por escravos fugitivos das fazendas no interior de Alagoas – foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que resultou no início da destruição daquela comunidade. Portanto, comemorar o Dia da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva na memória coletiva essa figura tão importante para a história do Brasil e para o povo negro em especial. Não somente a imagem do líder, mas também a sua importância na luta pela libertação da escravidão e na melhoria das condições de vida para esse povo.Entretanto o 13 de maio de 1888 também tem seu significado. Liberal, a Princesa Isabel apoiava abertamente o movimento abolicionista. Ela chegou a amparar artistas e intelectuais que atuavam em favor do movimento da abolição da escravidão no Brasil. Muitos desses artistas e intelectuais apoiavam também a criação do sistema republicano no Brasil. Ela chegou a financiar a alforria de alguns escravos e dava guarida a muitos deles na sua casa em Petrópolis. Joaquim Nabuco, um dos grandes políticos do Império, afirmava que a escravidão no Brasil era "a causa de todos os vícios políticos e fraquezas sociais; um obstáculo invencível ao seu progresso; a ruína das suas finanças, a esterilização do seu território; a inutilização para o trabalho de milhões de braços livres; a manutenção do povo em estado de absoluta e servil dependência para com os poucos proprietários de homens que repartem entre si o solo produtivo". No dia 13 de maio de 1888 aconteceram as últimas votações de um projeto de abolição da escravidão no nosso país. A regente então, desceu de Petrópolis, cidade serrana, para aguardar no Paço Imperial o momento de assinar a Lei Áurea. Usou uma pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião, recebendo a aclamação do povo do Rio de Janeiro. O Jornal da Tarde, do dia 15 de maio de 1888, noticiou que "o povo que se aglomerava em frente do Paço, ao saber que já estava sancionada a grande Lei, chamou Sua Alteza, que aparecendo à janela, foi saudada por estrepitosos vivas. " É bem verdade que a Abolição da escravidão representou também a queda da monarquia no Brasil. Em 15 de novembro de 1889, o Império sucumbia, principalmente pela falta de apoio político daqueles que até então eram os únicos a sustentarem politicamente o Império: os grandes produtores rurais donos de escravos.
O 13 de maio, entretanto, não deve ser esquecido. Ele tem um lugar de enorme importância na história desse país e do povo brasileiro.
A vida dos negros brasileiros após a abolição
Após a abolição, a vida dos negros brasileiros continuou muito difícil. O estado brasileiro não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados no mercado de trabalho formal e assalariado. Muitos setores da elite brasileira continuaram com o preconceito. Prova disso, foi a preferência pela mão-de-obra europeia, que aumentou muito no Brasil após a abolição. Portanto, a maioria dos  negros encontrou grandes dificuldades para conseguir empregos e manter uma vida com o mínimo de condições necessárias (moradia e educação principalmente).
POSTADO POR MESTRE BICHEIRO


domingo, 4 de maio de 2014

MESTRE ZÉ DE FREITAS

Mestre Zé de Freitas.
Nascido na cidade de Macaquinhos (BA), em 29 de abril de 1926, José de Freitas começou a treinar capoeira em 1946 com Mestre Caiçara, que depois de algum tempo o apresentou para o inesquecível Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão (o Poeta), virando assim seu discípulo.
Mestre Zé de Freitas foi um pioneiro da capoeira em São Paulo. Veio para terra da garoa ainda no final da década de 50, e começou suas atividades capoeirísticas (ainda proibida nessa época) num pequeno corredor de pensão de mais ou menos 3mt x 2mts, no bairro da Móoca.
Teve uma passagem no Clube CMTC, onde realmente deu-se início a trajetória da capoeira paulista., junto com outros grandes mestres, onde originou-se a capoeira que vemos hoje no centro sudeste de São Paulo. Trajetória essa que levou o Mestre Zé de Freitas a outro rumo, que a olhos de outros capoeiristas é complexa, assunto esse para falar-se futuramente em outro tópico.
Mestre Zé de Freitas formou capoeiristas que hoje também fazem parte dA história de nossa capoeira como: Mestre Pinatti, Mestre Joel, Mestre Mello, Mestre Serginho e Mestre Dulcidio (que hoje junto com o professor Marcelo representa o grupo Associação de Lutas Unidas Capoeira, fundada pelo Mestre Zé de Freitas).
Sua última vinda à São Paulo foi em junho de 2007, para participação de documentário chamado Reunião dos 9, onde tentam resgatar a história da Capoeira Paulista.